- Estudo da USP mostrou que treino aeróbico modula a expressão de RNAs circulares no coração após infarto em ratos, indicando efeito direto na regulação genética do órgão.
- Pesquisas combinaram ecocardiografia, análises histológicas e sequenciamento de RNAs para mapear circRNAs, microRNAs e mRNAs nas áreas remota e de borda do infarto.
- Resultados indicam que o exercício reduz hipertrofia cardíaca, fibrose e melhora a função ventricular, além de normalizar parte do perfil de circRNAs.
- CircRNAs identificados atuam como reguladores e podem interagir com microRNAs relacionados a fibrose, hipertrofia e apoptose, sugerindo vias de proteção cardíaca induzidas pelo treino.
- Pesquisadores ressaltam o potencial terapêutico de moduladores de circRNAs, abrindo caminho para avanços em therapies baseadas em RNA para recuperação pós-infarto.
Uma pesquisa da Escola de Educação Física e Esporte da USP mostrou que o treinamento físico aeróbico atua na regulação genética do coração após um infarto, ajudando na recuperação. O estudo acompanhou alterações em RNAs circulares, também chamados circRNAs, no tecido cardíaco.
Os pesquisadores levaram a cabo experimentos com ratos da linhagem Wistar, induzindo infarto do miocárdio e aplicando um protocolo de exercício aeróbico. A análise combinou ecocardiografia, histologia e sequenciamento de RNAs para mapear mudanças no entorno da lesão e em áreas saudáveis do coração.
A equipe identificou circRNAs com potencial regulatório, capazes de interagir com microRNAs relacionados a fibrose, hipertrofia e apoptose. Ensaios in vitro e em modelos animais avaliaram se a modulação dessas moléculas poderia reproduzir os efeitos benéficos observados com o exercício.
Os resultados indicam que o treinamento reduz fibrose e hipertrofia patológica, ao mesmo tempo em que preserva a função de bombeamento. Em células cardíacas, a superexpressão de circRNAs selecionados mostrou diminuição da morte celular, apontando caminhos para terapias futuras baseadas em RNA.
A pesquisadora Noemy Pinto Pereira afirma que o exercício não atua apenas no músculo esquelético, mas também regula genes do coração. A investigação foi desenvolvida durante seu doutorado na USP, sob orientação da professora Edilamar Menezes de Oliveira.
O estudo reforça a ideia de que o exercício aeróbico tem efeitos diretos no remodeling cardíaco após o infarto, sugerindo novas linhas de pesquisa para intervenções terapêuticas baseadas em RNAs circulares.
A tese de doutorado com o tema Papel do treinamento físico e RNAs circulares como efeito terapêutico no infarto do miocárdio será disponibilizada na Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP.
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