- De 2011 a 2021, foram recuperados 1,67 milhão de hectares de vegetação nativa na Mata Atlântica.
- Cerca de 75% dessa recuperação ocorreu por regeneração natural, ou seja, a vegetação voltou a crescer sozinha após redução de pressões.
- MG, Paraná, Bahia e São Paulo concentram a maior parte dessa restauração, mostrando que não é apenas em áreas remotas.
- As metas oficiais são 12 milhões de hectares até 2030 (Planaveg) e 15 milhões até 2050 (Pacto pela Restauração da Mata Atlântica); a regeneração natural assistida pode viabilizar essas metas.
- Ainda assim, 568 mil hectares recuperados foram eliminados antes de maturidade, o que representa 34% do total; iniciativas como Restaura Brasil e pagamentos por serviços ambientais já trabalham para ampliar resultados e renda no campo.
A Mata Atlântica pode mostrar recuperação em larga escala, segundo estudo publicado na Perspectives in Ecology and Conservation. Entre 2011 e 2021, 1,67 milhão de hectares de vegetação nativa foram recuperados no bioma, maior que Sergipe e equivalente a mais de dez vezes o território de São Paulo.
A maior parte desse ganho aconteceu por regeneração natural, conforme dados do Pacto pela Restauração da Mata Atlântica. Cerca de 75% das áreas reconstituídas cresceram sem intervenção humana direta, revelando uma oportunidade de restauração menos custosa.
Entre os estados, Minas Gerais liderou a recuperação, com 26,4% da área regenerada, seguido por Paraná (18,6%), Bahia (12,9%) e São Paulo (12,7%). Os números mostram que a restauração ocorre em territórios densamente povoados e produtivos.
O estudo aponta que os benefícios vão além da simples cobertura vegetal. A restauração pode aumentar a disponibilidade de água, reduzir riscos climáticos e criar oportunidades de renda no campo, alinhando conservação e desenvolvimento.
Entretanto, a pesquisa alerta para perdas: 568 mil hectares foram eliminados antes de maturar, o que representa 34% das áreas regeneradas. O resultado anual médio de quase 50 mil hectares perdidos sinaliza a necessidade de proteção contínua.
A recuperação depende de ações de longo prazo e de uma condução técnica adequada. A regeneração natural assistida é citada como caminho viável para alcançar metas nacionais de restauração até 2030, segundo planos oficiais.
Paralelamente, o Brasil já traça metas com planos como o Planaveg, que mira 12 milhões de hectares restaurados até 2030, e o Pacto pela Restauração da Mata Atlântica, com 15 milhões de hectares até 2050. A viabilidade depende de estruturas de apoio.
Medidas como pagamentos por serviços ambientais, créditos de carbono e linhas de crédito rural associadas à conservação aparecem como ferramentas para manter florestas em pé e incentivarem produtores a conservar áreas estratégicas.
A iniciativa Restaura Brasil, da The Nature Conservancy (TNC), funciona como exemplo de mobilização política e financeira para acelerar restaurações e cumprir metas climáticas globais. Recursos públicos e privados são considerados nessa estratégia.
O estudo também destaca o papel de comunidades tradicionais, indígenas e quilombolas. Nessas áreas, práticas ancestrais ajudam a conservar a biodiversidade e manter conhecimentos úteis para manejo sustentável da floresta.
A conclusão é que a restauração ecológica já é uma realidade mensurável no bioma. O desafio agora é manter estruturas e políticas que protejam o que já se recuperou e ampliem seus benefícios.
Se houver alinhamento entre políticas públicas, instrumentos financeiros e segurança jurídica, a Mata Atlântica pode se tornar referência internacional de como natureza e desenvolvimento podem andar juntos.
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