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Golpistas enganam especialistas com vídeos, vozes e imagens falsas

Golpes com deepfake sobem 126% no Brasil em um ano, ampliando a insegurança digital e dificultando a identificação de fraudes

Andrea Rozenberg, diretora de mercados emergentes da startup Veriff
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  • Fraudes com uso de inteligência artificial cresceram 126% no Brasil no último ano, segundo estudo da Sumsub, que analisou mais de quatro milhões de tentativas globais.
  • Os golpes combinam vídeos, vozes e imagens falsas (deepfake) para enganar pessoas e induzi-las a ações, como acessar sites ou repassar códigos de acesso.
  • Um estudante de tecnologia da informação, Giovani Sella, caiu em golpe envolvendo a compra de um par de chinelos com entrega gratuita; ele fez um Pix de 40 reais para cobrir o frete e só percebeu o golpe depois.
  • O Brasil é um dos principais alvos de golpes com deepfake na América Latina, representando parte expressiva dos ataques na região.
  • Pesquisas indicam que, apesar da ampla exposição a conteúdo gerado por IA, apenas 29% dos brasileiros conseguiram identificar vídeos manipulados; casos reais já envolveram executivos de empresas.

O uso de inteligência artificial para fraudes online cresce no Brasil. Levantamento mostra alta de 126% em um ano, com casos envolvendo deepfakes de voz, rosto e vídeo. O objetivo é induzir cliques ou pagamentos.

Um vídeo com a voz do cantor L7nnon circulou no Instagram, prometendo um prêmio, aliado a um site que imitava a loja de uma marca de chinelos. O golpe pediu um pagamento por frete, de perto de R$ 40, e levou o interessado a fornecer dados.

O caso envolvendo Giovani Sella, 22 anos, mostra como alguém pode cair assim que vê a suposta promessa. O estudante pagou o frete via Pix e percebeu o golpe apenas após compartilhar com amigos.

A soma de dados da Sumsub aponta que o Brasil concentra boa parte dos ataques com IA na América Latina. A plataforma analisou mais de 4 milhões de tentativas globais, cruzando verificação de identidade e segurança de usuários.

A especialista Andrea Rozenberg, da Veriff, relata que licitações de IA para clonar vozes e rostos já foram usadas em videoconferências falsas. Em uma ocasião, uma chefe foi enganada por contato que imitava a imagem e a voz do presidente da empresa.

Em Hong Kong, em 2024, um funcionário financeiro pagou US$ 25 milhões a golpistas que fingiam ser colegas em uma videoconferência. Ao todo, seis suspeitos foram presos pela polícia local.

Segundo Rozenberg, o custo menor para produzir conteúdos manipulados facilita a atuação em escala. A prática dispensa grande conhecimento ou investimentos, ampliando o alcance dos golpes.

Pesquisas da Veriff também indicam que 80% dos brasileiros já viram deepfakes online, mas apenas 29% sabem identificar vídeos manipulados. O excesso de conteúdos gerados por IA aumenta a desconfiança digital.

Entre os casos citados, há exemplos de vítimas sem perfil específico. Verônica, 52 anos, recebeu áudio com voz idêntica ao filho pedindo ajuda financeira; o prejuízo foi de R$ 2 mil, quitado no crédito rotativo.

Atenção aos sinais de golpe envolve checagem de fontes, confirmação de contatos oficiais e desconfiar de pedidos urgentes de dinheiro. Especialistas ressaltam a necessidade de educação digital ampliada.

Dados nacionais e casos recentes

O levantamento global da Sumsub consolidou o crescimento de golpes com IA no último ano, com participação relevante do Brasil. A verificação de identidades continua sendo a principal defesa.

Percepção pública e mídia

Especialistas ressaltam que a divulgação de conteúdos manipulados cresce pela exposição em redes. O desafio é treinar leitores a reconhecer sinais de deepfake em tempo real.

Medidas de proteção

Autoridades e empresas recomendam verificação de identidade, uso de autenticação multifator e confirmação direta com contatos oficiais antes de realizar qualquer pagamento.

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