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Às vezes a medicina pode prejudicar a saúde: entenda o contexto

Iatrogenia na geriatria: intervenções médicas podem provocar desidratação e complicações, exigindo adaptação do cuidado e redução de medicações

Opinião | Às vezes a medicina faz mal para a saúde – e não estou falando de erro médico; entenda
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  • Um homem de 70 anos levou uma endoscopia e colonoscopia para investigar anemia, mas desidratou durante o preparo e desenvolveu insuficiência renal, adiando o exame.
  • A situação exemplifica a iatrogenia, danos causados por intervenções de saúde, que nem sempre resultam de erro médico.
  • O texto destaca a prevenção quaternária: evitar exames desnecessários e tratamentos sem benefício claro para proteger o paciente.
  • Pessoas idosas são mais vulneráveis a iatrogenias devido ao envelhecimento do corpo e à sensibilidade a remédios e procedimentos.
  • A mensagem central é adaptar o cuidado na geriatria: realizar apenas o que realmente traz benefício, com monitoramento individualizado e atenção aos riscos.

Um paciente de 70 anos chegou a um hospital para investigar anemia por carência de ferro. O médico solicitou endoscopia e colonoscopia, comuns na avaliação, buscando saber a causa da queda de hemoglobina.

Durante o preparo dos exames, com jejum, laxantes e grande perda de líquidos, o paciente soube de uma insuficiência renal por desidratação. O procedimento precisou ser adiado para evitar mais riscos.

Essa situação ilustra o conceito de iatrogenia, danos gerados pela própria medicina, mesmo quando a conduta é indicada e baseada em evidências. Não é sinônimo de erro médico.

Prevenção quaternária e cuidado na geriatria

Pessoas idosas são mais vulneráveis a efeitos adversos de intervenções. A desidratação, alterações renais e depressão cognitiva são exemplos comuns em internações.

A ideia é evitar intervenções desnecessárias ou de benefício pouco claro. Em alguns casos, reduzir o número de medicamentos pode trazer mais qualidade de vida.

Em termos práticos, decisões clínicas devem considerar riscos e benefícios para cada paciente, com monitoramento mais atento e ajustado ao envelhecimento.

Quando adaptar, não abandonar

Não se trata de evitar tratamento, mas de adequar a abordagem. No exemplo da colonoscopia, o exame pode ser essencial, desde que haja hidratação adequada e acompanhamento próximo.

A medicina de qualidade envolve saber quando agir e quando não agir, adaptando-se ao paciente e ao contexto clínico, sem receitas únicas.

O objetivo é equilibrar benefício esperado com riscos potenciais, valorizando a individualização do cuidado e a proteção contra danos do cuidado excessivo.

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