- Estudo publicado na Science sugere que células ricas em ferro no fígado de pombos podem detectar o campo magnético da Terra, atuando como uma bússola interna.
- Pesquisadores retiraram temporariamente essas células de alguns pombos para avaliar se isso atrapalha a orientação durante o voo.
- O fígado apresentou a maior concentração de ferro entre os tecidos estudados, com o ferro em nanopartículas de óxido, tornando as células superparamagnéticas.
- As células com ferro também foram encontradas em bico e baço, e os autores destacam que a transmissão do sinal magnético ao cérebro ainda precisa ser esclarecida.
- Especialistas externos dizem que são necessárias mais pesquisas para confirmar a magnetorrecepção em pombos e entender se outros animais usam mecanismos semelhantes.
O estudo, publicado na revista Science, sugere que células ricas em ferro no fígado de pombos-correio podem funcionar como uma bússola interna, detectando o campo magnético da Terra. Pesquisadores removem temporariamente essas células de alguns pombos para observar o efeito no voo.
A pesquisa aponta que o fígado é o tecido com maior concentração de ferro entre os órgãos analisados. Os autores dizem que o ferro está cristalizado em nanopartículas de óxido, o que confere às células propriedades magnéticas capazes de reagir a campos magnéticos.
Segundo Clivia Lisowski, autora principal, as evidências indicam que o fígado pode ter um papel determinante na magnetorecepção. O coautor Ulf Wiedwald ressalta que a resposta magnética foi mais forte nesse tecido do que em outros, o que sustenta a hipótese investigada.
Especialistas externos destacam a necessidade de mais estudos para confirmar o mecanismo e esclarecer como esses sinais magnéticos são enviados do fígado ao cérebro. Ainda não há consenso sobre se pombos utilizam esse processo de forma exclusiva ou integrada a outros sentidos.
Pesquisadores consideram que, se confirmada, a magnetorreceção por vias hepáticas poderia ter aplicações na compreensão da orientação de outras aves e de mamíferos. O estudo também aponta a possibilidade de diferentes aves usarem estratégias distintas conforme a tarefa.
A equipe sugere que, além do fígado, outras áreas como o bico e o baço apresentaram células imunológicas com potencial magnético. A localização próxima a fibras nervosas no fígado pode favorecer a transmissão de sinais ao sistema nervoso central.
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