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ONU alerta para risco de calor extremo causado pelo El Niño

Organização das Nações Unidas alerta que El Niño moderado a forte pode elevar temperaturas e agravar secas, aumentando pressão sobre a safra de cacau e os preços

Vista do solo rachado em uma represa, em Mudzi, no Zimbabué 2 de julho de 2024 REUTERS/Philimon Bulawayo
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  • A Organização Meteorológica Mundial alerta para El Niño moderado ou possivelmente forte, que pode elevar temperaturas globais e aumentar o risco de eventos climáticos extremos de junho a agosto, com previsão de continuidade até novembro.
  • O padrão pode trazer secas em algumas regiões e chuvas intensas em outras, além de potencial aumento de ondas de calor tanto em terra como no oceano.
  • Regiões em risco incluem seca na Austrália, América Central, Indonésia e partes do sul da Ásia; chuvas fortes no sul da América do Sul, nos Estados Unidos, no Chifre da África e na Ásia Central; e possível formação de furacões no Pacífico central e oriental.
  • O último El Niño, entre 2023 e 2024, ajudou a tornar 2024 o ano mais quente já registrado; entre os riscos estão maior disseminação de doenças transmitidas por vetores e redução no suprimento de alimentos e água.
  • O impacto para consumidores pode incluir inflação de alimentos; a indústria de cacau aponta que áreas do Equador e da África Ocidental, que respondem por cerca de 60% da produção mundial, podem ter saídas menores.

A agência meteorológica das Nações Unidas informou que pode haver um El Niño moderado a forte, elevando temperaturas globais e aumentando o risco de eventos climáticos extremos nos próximos meses. O anúncio ocorreu em Genebra nesta terça-feira.

A OMM explicou que águas quentes no Pacífico central e oriental alimentam o fenômeno, com previsões de temperaturas acima da média de junho a agosto. A intensidade exata é incerta, pois modelos divergem.

Celeste Saulo, secretária-geral da OMM, ressaltou a necessidade de preparação para um El Niño potencialmente intenso, capaz de piorar secas, chuvas fortes e ondas de calor em terra e no mar.

Impactos climáticos previstos

O padrão pode elevar temperaturas globais e alterar padrões de chuva, com seca na Austrália, América Central, Indonésia e sul da Ásia, e pancadas intensas em partes da América do Sul e Norte da África.

O El Niño também pode aumentar a formação de furacões no Pacífico central e oriental, segundo a OMM. O último episódio forte, entre 2023 e 2024, contribuiu para 2024 ser o ano mais quente já registrado.

Efeitos econômicos e de saúde pública

Especialistas apontam riscos de maior disseminação de doenças transmitidas por vetores e queda no abastecimento alimentar e hídrico. Comunidades vulneráveis devem enfrentar impactos mais severos.

Alguns setores já monitoram impactos; a indústria de cacau teme reduções de colheita no Equador e na África Ocidental, que respondem por cerca de 60% da produção global, o que pode pressionar preços.

Perspectivas e resposta internacional

A ONU reiterou a necessidade de transição de combustíveis fósseis para energia renovável como resposta estrutural ao aquecimento. Autoridades pedem ações de planejamento adaptativo para períodos de calor extremo.

A organização também destacou que, mesmo com incertezas sobre a intensidade, medidas de mitigação e proteção de comunidades são urgentes para reduzir impactos.

Fonte: Reuters ( reportagens de Olivia Le Poidevin e Paolo Laudani, em Gdańsk ).

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