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Realidade do Cerrado ofusca queda no desmatamento

Desmatamento nacional recua 20,6% em 2025, mas Cerrado responde por mais da metade da perda, elevando criticidade e risco de incêndios com El Niño

Mais da metade da área desmatada no país em 2025 faz parte do Cerrado - (crédito: Vladimir Luz)
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  • Em 2025, o desmatamento no Brasil atingiu 984.794 hectares, queda de 20,6% em relação a 2024; é a primeira vez desde 2019 abaixo de 1 milhão de hectares.
  • O Cerrado respondeu por 55% do total desmatado no país, com a área perdida na savana brasileira equivalente ao dobro do desmatamento na Amazônia no mesmo período.
  • Ao considerar apenas o Cerrado, a queda foi de 16,9%; o bioma concentra 43,5% das desmatamentos em Unidades de Conservação, sendo 97% em Áreas de Proteção Ambiental.
  • A expansão urbana e a agropecuária impulsionam a perda de vegetação no Cerrado, que junto com a Amazônia responde por mais de 60% da área nativa desmatada nas últimas décadas.
  • Desafios incluem a “Semana do Agro” no Congresso, com propostas que podem afrouxar proteções, a expectativa de El Niño mais forte em 150 anos e o calendário eleitoral, que pode intensificar incêndios e polarização; autoridades reiteram compromisso de zerar o desmatamento até 2030.

O desmatamento no Brasil caiu 20,6% de 2024 para 2025, conforme o Relatório Anual do Desmatamento divulgado pelo MapBiomas. O total desmatado foi de 984.794 hectares no último ano, o menor desde o início da série histórica em 2019.

Apesar da queda geral, a maior parte da perda de vegetação ocorreu no Cerrado. O bioma respondeu por 55% do desmatamento nacional em 2025, com área equivalente ao dobro do desmatado na Amazônia no mesmo período. São aproximadamente 1.482 hectares por dia.

Em Unidades de Conservação, o Cerrado concentrou 43,5% do desmatamento, com 97% desse total em Áreas de Proteção Ambiental (APAs). A região também responde, junto à Amazônia, por mais de 60% da área de vegetação nativa desmatada pela expansão urbana. Nas quatro décadas, houve avanço de 74% da agropecuária.

Desafios e cenário político

Nova atuação contra o desmatamento passa pela contenção do avanço no planalto central. Recentes fatos no Congresso apontam dificuldades adicionais, com propostas que podem enfraquecer a proteção dos biomas, como o PL 2564/2025, que dificulta embargos e medidas contra infratores ambientais.

A tensão climática também persiste. A aproximação de um El Niño pode reduzir chuvas, aumentar a temperatura e favorecer incêndios no Cerrado, agravando a vulnerabilidade do bioma antes das eleições. Isso eleva a necessidade de preparação institucional e estratégias de prevenção.

Anna Flavia Senna, secretária-executiva do MMA, destacou a partir do relatório a firmeza da meta de zerar o desmatamento até 2030, reconhecendo o desafio complexo. O documento reforça a urgência de manter políticas robustas para evitar novas perdas no Cerrado.

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