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Sal na região dos EUA originou grande depósito de prata

Estudo revela que salmoura de antigos mares rasos transportou e concentrou prata no Vale da Prata, Idaho, explicando grandes depósitos da região

O rio Coeur d'Alene atravessa o Vale da Prata (EUA), local onde esse metal era abundante no século 19
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  • A salmoura, resultante da evaporação de antigos mares rasos, migrou pelas rochas do Vale da Prata, em Idaho, e contribuiu para a formação dos depósitos de prata na região.
  • Desde o fim do século dezenove, foram encontradas mais de 34 mil toneladas métricas de prata no Vale da Prata, suficiente para fundir um cubo sólido com altura de cinco andares.
  • O estudo, publicado na revista Chemical Geology, utilizou o mineral escapolita para entender o fluido responsável pelo transporte dos metais.
  • Técnicas como microssonda eletrônica de alta resolução e espectrômetro de massa ajudaram a mapear a composição da escapolita e reconstruir a história dos fluidos salinos.
  • Os pesquisadores estendem a possibilidade de que, se outras rochas apresentarem as mesmas assinaturas químicas, haja novos depósitos de prata, chumbo, zinco e cobalto, especialmente no Cinturão do Cobalto.

O Vale da Prata, localizado no leste de Washington, Idaho e Montana, guarda reservas de prata desde o século 19. Estudo publicado na revista Chemical Geology aponta que a salmoura resultante da evaporação de antigos mares rasos foi crucial para concentrar e transportar os metais até as regiões onde hoje há mineração intensiva. O resultado ajuda a explicar a formação de mais de 34 mil toneladas de prata na região.

A equipe liderada pelo geólogo Johannes Hämmerli, da Washington State University (WSU), mapeou vestígios químicos dentro de um mineral chamado escapolita. A pesquisadora Isabelle Rein, antiga mestranda da mesma universidade, coletou amostras com o apoio do Serviço Geológico dos EUA (USGS) em estradas rurais do centro e norte de Idaho.

Para analisar as amostras, os cientistas utilizaram um microssonda eletrônica de alto custo, capaz de mapear diferenças químicas em escala muito fina, e um espectrômetro de massa para medir a composição da escapolita. Os instrumentos permitiram reconstruir a história dos fluidos presentes nas rochas.

Os resultados indicam que a água salina, produzida pela evaporação de mares rasos, migrou através de redes de drenagem naturais da região. Ao longo do trajeto, a salmoura concentrou metais e os transportou para áreas próximas à superfície, onde o metal já é extraído.

A investigação também mostrou que grande parte do sal ficou aprisionado na escapolita, enquanto as salmouras densas afundaram mais profundamente na crosta da bacia Belt. “Isso nos dá uma visão mais clara de como os fluidos evoluíram após a deposição de sedimentos”, afirmou Hämmerli, ressaltando que a identidade química dessas assinaturas pode orientar busca por depósitos similares em outras áreas.

Os pesquisadores destacam que, se assinaturas químicas semelhantes forem encontradas em rochas de outras regiões, podem haver novos depósitos de prata, chumbo, zinco e cobalto. No caso do Cinturão do Cobalto, os dados ajudam a restringir a composição e a cronologia dos fluidos, segundo o geólogo. Uma curiosidade é que, ainda hoje, certas camadas das rochas contêm sal em grandes quantidades, retido na escapolita por mais de um bilhão de anos.

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