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A maioria das cidades brasileiras não possui plano de ação contra calor extremo

Maioria das cidades não tem plano de ação para calor extremo; lacunas em dados, governança e financiamento ampliam riscos à saúde pública

População enfrentou forte onda de calor no Rio de Janeiro em 2024. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
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•66% das cidades brasileiras ainda não iniciaram ou estão apenas começando a elaborar planos de ação para enfrentar o calor extremo, segundo estudo divulgado na quarta-feira (3).

•93% dos gestores veem o calor extremo como problema relevante e 68% o situam entre os três principais desafios locais, mas isso não se traduz em capacidade de resposta.

•75% não utilizam dados de forma estruturada para apoiar decisões; 85% dependem de recursos externos para implementar medidas; apenas 42% possuem sistemas de informações geográficas para mapear riscos.

•Ações atuais se concentram em soluções baseadas na natureza, presentes em 77% dos municípios (arboreto urbano, áreas sombreadas, parques, telhados verdes, restauração de áreas úmidas); medidas de resfriamento passivo aparecem em 21% ou menos.

•Mais de 80% dos municípios ainda não estabeleceram critérios públicos sustentáveis para o resfriamento urbano, indicando pouca incorporação do tema em políticas estruturantes.

O déficit de planejamento para enfrentar o calor extremo predomina nas cidades brasileiras. Em estudo divulgado nesta quarta-feira, 3 de julho, pela presidência da COP30 e pelo Pnuma, 66% das cidades ainda não iniciaram ou estão apenas começando a estruturar planos de ação. A pesquisa integra a iniciativa Mutirão Contra o Calor Extremo, parte da Coalizão pelo Resfriamento, com participação de 258 cidades globalmente, sendo 105 no Brasil.

O levantamento foi realizado em 53 municípios do país. Mesmo com 93% dos gestores reconhecendo o calor como problema relevante e 68% colocando-o entre os três maiores desafios locais, a percepção não se transformou em capacidades de resposta. Existem lacunas em dados, governança e financiamento para avançar na adaptação.

Desafios de dados e governança

  • 75% das cidades não utilizam dados de forma estruturada para embasar decisões.
  • 85% dependem de financiamentos externos para implementações de adaptação.
  • Apenas 42% contam com sistemas de informações geográficas para mapear riscos.

Ações atuais e lacunas

Medidas em vigor são majoritariamente baseadas na natureza, com arborização, áreas sombreadas, parques e telhados verdes presentes em 77% dos municípios. Já estratégias de resfriamento passivo em edificações aparecem em 21% ou menos.

Mais de 80% dos municípios não desenvolveram critérios sustentáveis para resfriamento urbano em compras públicas, evidenciando baixa incorporação do tema em políticas estruturantes.

Contexto internacional e saúde pública

Calor extremo não é apenas dia quente; é o acúmulo de calor ao longo de dias, sem dissipação à noite, o que agrava saúde, energia, água e agricultura. O Pnuma aponta que o fenômeno provoca cerca de meio milhão de mortes anuais globalmente. No Brasil, ondas de calor associaram-se a cerca de 50 mil óbitos entre 2000 e 2020, em regiões metropolitanas.

A COP30 destaca a necessidade de cooperação entre setores e esferas de governo para ampliar a resiliência urbana. O Mutirão Contra o Calor Extremo visa orientar diagnósticos, planos de ação e financiamento para cidades.

Perspectivas e próximos passos

Nos próximos 12 a 18 meses, metade das cidades participantes planeja desenvolver políticas completas, e 28% devem intervir em áreas mais vulneráveis. A meta é beneficiar cerca de 7 milhões de pessoas entre 50 milhões de moradores atendidos pelo programa.

Riscos futuros

Especialistas apontam que estruturas como o “Super El Niño” pode surgir na segunda metade de 2026, conforme Cemaden. Previsões indicam maior risco de secas e incêndios no Norte e Nordeste, ondas de calor no Centro-Oeste e chuvas intensas no Sul, reforçando a necessidade de ações rápidas e coordenadas.

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