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Apesar de promessas, eficácia da ibogaína continua duvidosa

Eficácia da ibogaína continua duvidosa; faltam ensaios clínicos robustos para confirmar eficácia e segurança

Pequena planta com caule verde claro e folhas verdes escuras, algumas com bordas irregulares, em fundo marrom desfocado
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  • A ibogaína é um alcaloide psicodélico extraído das raízes do arbusto Tabernanthe iboga, estudada desde a década de sessenta para dependência química e outras condições.
  • Em abril, o presidente dos Estados Unidos assinou uma ordem que libera financiamento para pesquisas sobre a ibogaína e acelera a análise regulatória para ensaios clínicos.
  • No Brasil, projetos já foram autorizados pela Anvisa; estudo de 2017 com vinte e dois pacientes associou a ibogaína à terapia cognitivo-comportamental e mostrou experiências intensas.
  • Pesquisas indicam possível redução da fissura e de sintomas de abstinência, mas faltam ensaios clínicos robustos; o desenho de ensaios com psicodélicos é desafiado pela percepção dos efeitos.
  • Entre os riscos, destacam-se arritmias cardíacas e prolongamento do intervalo QT; com financiamento adequado, o Brasil pode ampliar estudos e consolidar potencial da terapia no futuro.

A ibogaína, substância alcaloide extraída das raízes do arbusto Tabernanthe iboga, tem sido estudada desde os anos 60 por potenciais efeitos terapêuticos em dependência química, estresse pós-traumático e depressão. Estudos indicam que pode reduzir a fissura e os sintomas de abstinência, mas faltam ensaios clínicos robustos para confirmar eficácia e segurança.

No final de abril, a administração norte‑americana autorizou financiamento a pesquisas com ibogaína e acelerou o processo regulatório para ensaios clínicos. A medida marca a maior abertura a psicodélicos nos EUA desde a época da guerra às drogas, ampliando o acesso a dados que podem orientar pesquisas globais.

No Brasil, há produção nacional e projetos autorizados pela Anvisa para investigar a substância. Um estudo de 2017 com 22 pacientes associou ibogaína à terapia cognitivo‑comportamental, relatando efeitos físicos intensos, experiências perceptivas profundas e reflexões sobre uso de drogas. Os relatos variaram entre ansiedade, memórias e temas existenciais.

A experiência descrita pelos participantes aponta mudanças na percepção de vida, com relatos de reorganização cerebral, melhoria do humor e da motivação, além de redução da fissura. Contudo, especialistas ressaltam que as reações podem ser intensas e nem todos os pacientes respondem de igual forma.

**Reset neurológico**

Pesquisas sugerem que a ibogaína atua em múltiplos receptores cerebrais, promovendo um possível reset neurobiológico. Estudos indicam queda da hiperatividade do sistema de recompensa, o que facilita a recuperação. A literatura cita melhorias na abstinência e na disposição para mudanças.

Apesar do potencial, surgem preocupações sobre riscos cardíacos, como arritmias e prolongamento do intervalo QT, que elevam a probabilidade de eventos graves. Tais aspectos reforçam a necessidade de monitoramento rigoroso em qualquer protocolo terapêutico.

**Potencial de pesquisa**

Analistas brasileiros destacam o país como referência em estudos de psicodélicos, com expertise, universidades envolvidas e um sistema de saúde disponível para pesquisa, desde que haja financiamento adequado. A ampliação de equipes e de frentes de estudo é vista como essencial para avanços.

Especialistas ressaltam que, mesmo com resultados promissores, a ibogaína não é uma panaceia. A validação exige etapas de pesquisa que vão desde testes em animais até ensaios clínicos de fases 2 e 3 com maior número de participantes, para avaliar eficácia e efeitos colaterais.

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