- A ONU aponta que o consumo de eletricidade por data centers foi estimado em 448 TWh em 2025, igualando o consumo de toda a França; se fosse um país, seria o 11º maior consumidor de energia do mundo.
- A demanda de processamento da IA representou cerca de 20% do uso total de energia dos data centers em 2025, com previsão de chegar a 40% até 2030.
- Em 2024, as emissões ligadas ao uso de eletricidade desses data centers somaram 189 milhões de toneladas de CO₂; compensar seria equivalente a plantar 3,2 bilhões de mudas de árvores ao longo de dez anos.
- No Brasil, a matriz hidrelétrica torna a pegada de carbono menor que a média global (redução de 77%), mas a pegada hídrica e de uso da terra das hidrelétricas é quase três vezes a média mundial, trazendo riscos e oportunidades para o país.
- Treinar modelos grandes, como o GPT‑5, demanda cerca de 100 GWh e gera cerca de 42 mil toneladas de CO₂e, 1 bilhão de litros de água e 1,5 quilômetros quadrados de terra; o uso cotidiano de IA é responsável por grande parte do consumo, com 2,5 bilhões de prompts diários do ChatGPT gerando cerca de 383 GWh por ano, e desperdícios como lixo eletrônico podem chegar a 2,5 milhões de toneladas por ano até 2030.
Ao apresentar um novo relatório, as Nações Unidas apontam que os data centers consumiram cerca de 448 TWh de eletricidade em 2025. Se fossem um país, teriam o 11º maior consumo global de energia, equivalente ao uso da França. O estudo analisa IA, nuvem e infraestrutura digital.
A demanda de processamento da IA respondeu por aproximadamente 20% desse consumo em 2025, com expectativa de chegar a 40% até 2030. O relatório ressalta que o impacto não é distribuído de forma uniforme, atingindo comunidades distintas de quem se beneficia economicamente.
Foram destacadas as emissões associadas ao uso de energia, estimadas em 189 milhões de toneladas de CO2 em 2024. A compensação equivalente exigiria o plantio de 3,2 bilhões de mudas de árvores ao longo de dez anos.
Impactos e variações da matriz energética
A pegada de carbono dos data centers depende de como a energia é gerada. Em países com matriz elétrica mais fóssil, como alguns casos na Ásia, a intensidade de emissões é maior. Em contraste, o Brasil, com predominância de hidrelétricas, tem menor emissão por unidade de eletricidade, mas enfrenta maior pegada hídrica e uso da terra nessas usinas.
O relatório alerta que o treinamento de ferramentas como modelos de IA tende a ampliar a demanda de energia com cada nova versão. O aumento envolve também consumo de água para resfriamento e uso de território para instalação da infraestrutura.
A análise destaca que a sustentabilidade da IA não pode ser medida por uma única métrica. Avaliações devem considerar impactos sobre água, terra e emissões, bem como benefícios econômicos locais.
Brasil e cenário global
Kaveh Madani, pesquisador à frente do estudo, aponta que o Brasil ocupa posição estratégica no cenário global de IA. O país possui recursos renováveis, economia digital em expansão e reservas de minerais críticos, o que atrai investimentos em infraestrutura de IA, mas traz riscos de concentração de valor fora do país.
O estudo cita que o Brasil pode se tornar grande fornecedor de energia, minerais, terra e água, enquanto o valor econômico fica em outros lugares. A mensagem é participar da IA, mas com condições que disseminem ganhos e reduzam riscos.
Uso cotidiano e consumo por atividade
O relatório estimou que o treinamento de um modelo avançado pode exigir cerca de 100 GWh, com pegada de 42 mil toneladas de CO2, 1 bilhão de litros de água e 1,5 km² de terra. Já o uso diário de IA adiciona maior carga, especialmente por prompts em plataformas de grande escala.
Pesquisas indicam que a busca baseada em IA consome substancialmente mais energia que buscas tradicionais, ainda que o volume de operações varie conforme o modelo e a configuração. A transparência é destacada como condição essencial para decisões ambientais.
Desafios futuros e governança
Estimativas indicam que o consumo de eletricidade de data centers pode chegar a 945 TWh até 2030, o que colocaria os data centers entre os seis maiores consumidores globais. O lixo eletrônico gerado pela expansão também pode chegar a milhões de toneladas por ano nesse período.
O relatório recomenda maior transparência em cadeias de suprimentos, padrões ambientais mais rigorosos para minerais críticos e mecanismos de repartição de benefícios com comunidades afetadas. A governança da IA deve ser inclusiva e equilibrada entre países.
Distribuição e soberania digital
Apenas 16% dos países hospedam computação em nuvem especializada em IA, e cerca de 90% dessa capacidade está em apenas dois países: Estados Unidos e China. A soberania digital é tema central, pois muitos países dependem de provedores estrangeiros para desenvolvimento e governança da IA.
Entre as medidas sugeridas estão investimentos em capacidade de pesquisa local, ciência aberta, parcerias e transferência de tecnologia. O objetivo é distribuir benefícios, reduzir riscos ambientais e ampliar a participação global na governança da IA.
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