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Imunoterapia reduz 71% o risco de mieloma múltiplo em estudo internacional

Imunoterapia reduz em 71% o risco de progressão ou morte em mieloma múltiplo; uso mais precoce amplia benefício, porém eleva infecções graves

— Foto: Freepik
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  • A imunoterapia teclistamabe reduziu o risco de progressão da mieloma múltiplo ou morte em 71% em pacientes com uma a três linhas de tratamento.
  • O estudo internacional ocorreu em 162 centros de 24 países, com participação brasileira, envolvendo 593 pacientes.
  • Após média de 17,3 meses de acompanhamento, a taxa de sobrevida livre de progressão em dezoito meses foi de 69,8% no grupo com imunoterapia vs 26,9% no grupo padrão. A sobrevida global foi de 79,2% vs 68,6%.
  • Houve mais infecções graves no grupo que recebeu a imunoterapia: 41,6% contra 29% nos esquemas comparadores, com algumas mortes associadas a infecções.
  • O teclistamabe já tem aprovação da Anvisa no Brasil e os resultados podem ampliar seu uso para estágios mais precoces da doença.

O uso de uma imunoterapia já disponível no Brasil reduziu em 71% o risco de progressão da mieloma múltiplo ou morte em pacientes que já haviam recebido de uma a três linhas de tratamento. O estudo internacional, publicado no NEJM, envolveu 593 pacientes em 162 centros de 24 países, com participação brasileira. O medicamento foi usado em fases mais precoces da doença, ampliando o tempo sem avanço da mieloma.

Os resultados mostram aumento da taxa de resposta completa e da sobrevida global. Após mediana de 17,3 meses de acompanhamento, a sobrevida livre de progressão em 18 meses ficou em 69,8% no grupo com a imunoterapia frente a 26,9% no grupo de controle. A sobrevida global atingiu 79,2% versus 68,6%, respectivamente.

Para Jayr Schmidt Filho, pesquisador do A.C.Camargo e um dos autores, os dados sugerem benefício de usar a imunoterapia mais cedo. O estudo questionava se tratamentos já eficazes em pacientes muito tratados poderiam ter melhora ao serem aplicados em fases iniciais da doença.

Como funciona o tratamento

O teclistamabe é um anticorpo biespecífico que liga BCMA, presente nas células do mieloma, às células T do sistema imune, estimulando o ataque às células cancerígenas. Em relação a outras terapias direcionadas ao BCMA, a pesquisa reforça a possibilidade de antecipar o uso da imunoterapia.

Limites e segurança

Observou-se maior incidência de infecções graves em quem recebeu o teclistamabe: 41,6% versus 29% no grupo padrão. Houve também mais mortes relacionadas a infecções no grupo tratado com a imunoterapia. Especialistas destacam que a experiência clínica atual inclui medidas preventivas fortalecidas.

Schmidt ressalta que a droga permanece imunossupressora e requer monitoramento próximo. Vacinação prévia, profilaxia e reposição de imunoglobulina são estratégias utilizadas para reduzir riscos, sem eliminar completamente as infecções.

Perspectivas futuras

Nenhum participante havia recebido terapias BCMA antes da pesquisa, portanto não é possível afirmar que pacientes com tratamentos prévios teriam o mesmo benefício. Novos estudos devem esclarecer esse ponto à medida que tais terapias se tornam mais comuns no tratamento inicial da doença.

O teclistamabe já tem aprovação da Anvisa para mieloma múltiplo no Brasil, e os autores apontam que os resultados podem ampliar indicações, permitindo uso mais precoce na linha de tratamento.

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