- Pesquisas apresentadas na ASCO 2026 mostraram que o selpercatinibe reduziu em 83% o risco de recorrência ou progressão em câncer de pulmão de não pequenas células com fusão RET, em estágio I a III, após cirurgia, comparado a placebo.
- Em dois anos de acompanhamento, 92% dos pacientes tratados com selpercatinibe estavam livres da doença, frente a 60% no grupo placebo.
- A alteração RET ocorre em cerca de 2% a 4% dos casos de câncer de pulmão, mas já tem tratamento-alvo aprovado para doença avançada.
- O estudo HARMONi-6 avaliou ivonescimabe, um anticorpo biespecífico que atua em PD-1 e VEGF, em câncer de pulmão de não pequenas células do tipo escamoso avançado, demonstrando ganho de sobrevida global em relação à terapia padrão.
- Efeitos adversos relacionados ao bloqueio da angiogênese aumentaram, mas foram administráveis na maior parte dos casos; resultados globais ainda dependem de confirmações em populações fora da China.
O câncer de pulmão permanece como um dos maiores desafios da oncologia. No Brasil, o INCA estima mais de 35 mil novos casos por ano entre 2026 e 2028. Avanços em genética e imunoterapia moldam tratamentos cada vez mais precisos.
Durante o ASCO 2026, dois estudos mostraram resultados promissores para o câncer de pulmão. As pesquisas destacam a medicina de precisão e novas estratégias imunoterápicas no manejo da doença.
LIBRETTO-432: retenção molecular RET na fase adjuvante
O estudo LIBRETTO-432 avaliou selpercatinibe em pacientes com câncer de pulmão de não pequenas células com fusão RET, em estágio I a III, após cirurgia completa. A intervenção ocorreu com três anos de tratamento.
Ao todo, 150 pacientes foram randomizados entre selpercatinibe e placebo. Mesmo com amostra menor, os resultados foram expressivos para o grupo ativo.
O uso do medicamento reduziu o risco de recorrência ou progressão em 83% em relação ao placebo. Aos dois anos, 92% permaneciam sem doença no grupo tratado, versus 60% no grupo controle.
Importância dos testes moleculares
Pesquisadores destacam a relevância de testar alterações genéticas no diagnóstico inicial. A identificação de RET pode definir a melhor estratégia terapêutica, semelhante ao que já ocorre com EGFR.
HARMONi-6: ivonescimabe em câncer de pulmão
O estudo HARMONi-6 avaliou ivonescimabe, anticorpo biespecífico desenvolvido na China, que atua em PD-1 e VEGF. A pesquisa envolveu câncer de pulmão de não pequenas células tipo escamoso, em estágio avançado.
Pacientes foram randomizados entre a terapia padrão (quimioterapia mais imunoterapia) e o regime com ivonescimabe. O desfecho principal mostrou ganho significativo de sobrevida global com o novo fármaco.
Apesar do aumento de efeitos adversos ligados à angiogênese, a maioria dos eventos foi administrável. A maior parte da pesquisa foi conduzida na população chinesa.
Perspectivas globais e próximos passos
Um estudo global está em curso para verificar se os benefícios observados se repetem em outras regiões. A continuidade dos acompanhamentos é necessária para confirmar a durabilidade dos resultados.
Os dois estudos reforçam a tendência de personalizar tratamentos com base nas características moleculares dos tumores. Pesquisas adicionais deverão esclarecer efeitos a longo prazo e aplicabilidade internacional.
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