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Pesquisa aponta associação entre uso de cocaína e homicídios

Estudo da USP aponta associação entre cocaína e homicídios; álcool e drogas presentes em mais da metade das vítimas de mortes violentas

'Dados mostram associação importante entre uso de cocaína e mortes por homicídios', diz pesquisador
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  • Estudo da Universidade de São Paulo analisou 3.577 casos entre 2022 e 2024 em Belém, Recife, Vitória e Curitiba, avaliando álcool, drogas ilícitas e psicotivos.
  • Mais da metade das vítimas de mortes violentas apresentaram álcool ou drogas, com 67% dos casos classificados como homicídios, 15% acidentes de trânsito e 9% suicídios.
  • A cocaína foi destacada como associação importante com homicídios; o estudo não estabelece relação de causa e efeito entre consumo e morte.
  • Os pesquisadores destacam que as capitais foram escolhidas por apresentarem altos índices de violência e atuação de rotas de tráfico internacional de drogas.
  • O estudo enfatiza redução de danos como estratégia de prevenção e aponta falhas legais, como a possibilidade de recusa ao teste do etilômetro, como pontos a considerar.

Um estudo da USP (Universidade de São Paulo) aponta a presença de álcool e drogas em mais da metade das vítimas de mortes violentas analisadas entre 2022 e 2024. O material foi coletado em quatro capitais brasileiras: Belém, Recife, Vitória e Curitiba, com o objetivo de produzir dados padronizados sobre a relação entre substâncias psicoativas e mortes por causas externas no Brasil.

A pesquisa avaliou 3.577 casos e considerou álcool, drogas ilícitas e medicamentos psicoativos. Entre as causas, 67% foram classificados como homicídios, 15% como acidentes de trânsito e 9% como suicídios. O perfil das vítimas mostrou predominância masculina (90%) e idade de 30 anos ou mais em 56% dos casos.

Predominância de cocaína e desdobramentos

Os pesquisadores destacam a cocaína entre as substâncias mais presentes nos casos de homicídio, o que impulsionou a análise por região. Além disso, houve associação entre uso de álcool e mortes relacionadas no trânsito e com o uso de benzodiazepínicos em casos de suicídio.

Segundo o estudo, a escolha das capitais se deu pela elevada violência e pela relevância dessas cidades nas rotas de tráfico internacional de drogas. A pesquisa ressalta que o tipo de estudo não estabelece relação de causa e efeito, apenas indica correlações entre substâncias e desfechos violentos.

Limitações e caminhos para políticas públicas

Os autores apontam que a legislação brasileira é rígida quanto ao consumo de álcool por condutores, mas admite falhas, como a possibilidade de recusa ao teste do etilômetro. A equipe defende, como medida de longo prazo, a redução de danos como estratégia central no enfrentamento de substâncias, associada a políticas públicas integradas, educação e cooperação entre setores.

O estudo também reforça que as diferenças regionais no Brasil podem influenciar padrões de uso de substâncias e de mortes externas. A análise revelou, portanto, a necessidade de abordagens contextualizadas para cada região, sem inferir causalidade única a partir dos dados observados.

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