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Poluição nos oceanos já alcança até as profundezas do mar

Estudo na Bacia de Santos mostra microplásticos e poluentes persistentes atingem fundo do mar, com fibras plásticas em pepinos do mar e impactos à cadeia alimentar

A principal contribuição do estudo é estabelecer um panorama inicial da contaminação por microplásticos e poluentes persistentes em uma região ainda pouco explorada do oceano profundo brasileiro – Foto: S M R/PixaHive/CC0
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  • Estudo do Instituto Oceanográfico da USP analisou sedimentos e fauna na Bacia de Santos, entre 400 e 1.500 metros de profundidade, e encontrou fibras plásticas e poluentes orgânicos persistentes.
  • As amostras foram coletadas em expedições com o navio Alfa Cruzes; analisaram conteúdo digestivo de animais e sedimentos para identificar microplásticos e POPs.
  • Foram encontrados microplásticos do tipo secundário, originados da degradação de objetos plásticos maiores, possivelmente originários de resíduos descartados no ambiente.
  • Microplásticos podem chegar ao mar profundo por vários caminhos: rios que deságuam no oceano, vento e atmosfera, e lixo gerado em embarcações e plataformas offshore.
  • Pepinos do mar mostraram maior contato com o sedimento e ingeriram fibras plásticas durante a alimentação; os poluentes orgânicos persistentes também foram encontrados nos tecidos dos animais e nos sedimentos.

O estudo do Instituto Oceanográfico da USP analisa microplásticos e poluentes persistentes na Bacia de Santos, em São Paulo, com sedimentos de peixes e invertebrados entre 400 e 1.500 metros de profundidade. Fibras plásticas foram identificadas junto a poluentes orgânicos, em áreas pouco exploradas do oceano profundo.

Gabriel Stefanelli Silva, pesquisador responsável, afirma que o oceano profundo é de difícil acesso e pouco conhecido, com registros de lixo apenas desde 2013. Financiamento e tecnologia limitam novas pesquisas nessa região.

Como foi feita a análise

Expedições à Bacia de Santos utilizaram o navio Alfa Cruzes para coletar amostras de sedimento intacto e redes de arrasto para captar animais. Em laboratório, houve análise do conteúdo digestivo e dos sedimentos.

Pequenos frascos com sedimentos foram examinados para detectar microplásticos primários e secundários, bem como poluentes orgânicos persistentes, que podem levar décadas para se degradarem.

Lixo no mar profundo

Stefanelli aponta que a origem do material é multifatorial: resíduos urbanos chegam aos rios e ao mar, enquanto o microplástico pode ser transportado pelo vento e pela atmosfera, além de impactos de atividades marítimas.

Segundo o pesquisador, fibras plásticas são predominantes entre os microplásticos secundários, resultantes da degradação de resíduos descartados no ambiente. A decomposição natural favorece a sua presença no fundo.

Resultados da pesquisa

Foi identificado o acúmulo de poluentes orgânicos persistentes, como retardantes de chamas e fluidos isolantes, que são nocivos à saúde humana e ambiental. Esses compostos permanecem no ecossistema por anos.

Os pepinos do mar apresentaram maior exposição aos microplásticos, devido ao contato direto com o sedimento e à alimentação a partir dele, o que facilita a ingestão de fibras plásticas.

Espécies afetadas

Além dos invertebrados, foram analisados peixes de profundidade. Os compostos orgânicos persistentes foram encontrados tanto nos tecidos dos animais quanto nos sedimentos, indicando contaminação integrada do habitat.

Importância do estudo

A pesquisa oferece um panorama inicial da poluição na região ainda pouco explorada do oceano profundo brasileiro. Os resultados subsidiam monitoramento e políticas públicas para reduzir contaminação.

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