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Pseudomonas aeruginosa: Ypê e Crystal revelam resistência com escudo químico

Pseudomonas aeruginosa resiste a detergentes por membrana dupla, biofilme e bombas de efluxo; risco maior para imunossuprimidos

Mesma bactéria foi encontrada em lotes de Crystal e Ypê — Foto: Reprodução
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  • A Anvisa recolheu detergentes da marca Ypê no início de maio e, quase um mês depois, interdita um lote de água mineral Crystal, devido a contaminação por Pseudomonas aeruginosa.
  • A bactéria sobrevive a produtos de limpeza por meio de três defesas: membrana externa (escudo químico), biofilme que forma uma fortaleza e bombas de expulsão (efluxo) que expelem substâncias tóxicas.
  • Em imunossuprimidos, a infecção por Pseudomonas pode evoluir para quadros graves, como pneumonia, infecções urinárias e até septicemia, especialmente em ambiente hospitalar.
  • Apesar da resistência, processos adequados de desinfecção, esterilização e saneamento, com combinações químicas específicas, conseguem eliminar a bactéria.

A bactéria Pseudomonas aeruginosa voltou a figurar no noticiário de saúde. Em maio, a Anvisa determinou o recolhimento de lote de detergentes e sabões Ypê. Nesta quarta-feira (3), o órgão interditou um lote de garrafas de água mineral da marca Crystal. As ações ocorreram no Brasil, após identificação da bactéria em produtos de consumo.

Especialistas explicam que o micro-organismo aplica um conjunto de estratégias para resistir a detergentes e outros químicos. Em pessoas com o sistema imune comprometido, a infecção pode evoluir para quadros graves. A explicação envolve três mecanismos-chave: escudo químico, fortaleza de guerra e bombas de expulsão.

O que aconteceu, quem está envolvido, quando e onde? Houve dois recolhimentos regulatórios em menos de um mês: maio, envolvendo itens da marca Ypê, e junho, envolvendo água Crystal. As ações foram tomadas pela Anvisa, em território brasileiro, diante de evidências laboratoriais da presença da bactéria.

Escudo químico

Pseudomonas aeruginosa apresenta uma membrana dupla que funciona como um escudo químico, dificultando a entrada de substâncias do detergente na célula. A camada externa envolve a parede celular interna, contribuindo para a resistência inicial aos compostos de limpeza.

Fortaleza de guerra

Ao colonizar superfícies, as bactérias formam biofilmes, uma matriz gelatinosa que protege as células mais profundas. Esse biofilme atua como barreira física, reduzindo a penetração de desinfetantes, calor e componentes do sistema imune.

Bombas de expulsão

Caso o detergente atravesse o biofilme, bombas de efluxo expulsam substâncias tóxicas da membrana. Existem mais de 12 tipos dessas bombas na espécie, o que aumenta a capacidade de sobrevivência ao tratamento químico.

Detergentes diluídos elevam o risco, pois reduzem a eficácia antimicrobiana e favorecem a seleção de variantes mais resistentes. Além disso, a resistência pode ser intrínseca, resultado de mutações ou da troca de genes entre bactérias.

Riscos para a saúde

Em indivíduos saudáveis, o sistema imune costuma controlar a bactéria. Em quem tem imunossupressão, bebês ou idosos, o quadro pode piorar, com risco de infecções respiratórias, urinárias, de pele e até sepse. Essa condição é uma preocupação especial em ambientes hospitalares.

A Anvisa continua monitorando lotes de produtos de consumo e reforça a necessidade de seguir as orientações de uso e descarte seguro. Especialistas ressaltam que infecções causadas por Pseudomonas são tratáveis com protocolos adequados, especialmente quando detectadas precocemente.

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