- Em fevereiro, uma expedição do The Wilderness Project em Lisima, Angola, flagrou dezenas de espécies potencialmente novas no planalto remoto.
- Entre as descobertas, destacam-se uma aranha-caranguejo que brilha azul sob luz ultravioleta e uma aranha tecelã que imita joaninha; também houve registro de novas libélulas e mariposas.
- Foram identificadas três espécies de gafanhotos, esperanças e grilos ainda não descritas, com estimativa de que outras novidades surgirão conforme os taxonomistas analisarem os espécimes.
- A equipe contou com dezoito especialistas africanos e internacionais, obtendo a imagem mais detalhada já feita do planalto; o trabalho enfrentou lama, falhas mecânicas e casos de malária entre os membros.
- A prioridade é proteger o habitat de Lisima, já reconhecido como área protegida e zona úmida de importância internacional, com ações anunciadas para ampliar a proteção futura.
Uma expedição ao leste de Angola, realizada em fevereiro, revelou dezenas de espécies potencialmente inéditas na ciência no planalto de Lisima. O local é descrito pelos organizadores como um dos últimos grandes pontos cegos de biodiversidade da África. O estudo é liderado pelo The Wilderness Project, projeto fundado pelo explorador Steve Boyes.
A equipe, com 16 especialistas africanos e internacionais, capturou a imagem mais detalhada já registrada do planalto. O objetivo é que taxonomistas descrevam formalmente as espécies encontradas, com perspectivas de mais descobertas à medida que a análise avança.
Descobertas marcantes
Entre as novidades, destaca-se uma aranha-caranguejo que brilha em azul sob luz ultravioleta, ainda sem explicação científica. Também há uma aranha tecelã que imita joaninha tóxica para se proteger de predadores. Entre as libélulas, oito espécies não haviam sido descritas até o momento, assim como oito novas mariposas.
A expedição registrou três gafanhotos, esperanças e grilos ainda sem descrição formal. Espera-se que novas espécies surjam conforme especialistas avaliam os exemplares coletados. Espécies já conhecidas também chamaram a atenção, como a víbora-gabão, uma cobra venenosa de presas grandes, e a mosca-morcego, parasita de morcegos.
Desafios do campo e próximos passos
O líder Rob Taylor descreveu o trabalho em campo como um privilégio, mas com grandes desafios logísticos. A época de chuva elevou a dificuldade, com atolamentos na lama, falhas mecânicas e casos de malária entre a equipe. Ainda assim, pesquisadores aproveitaram cada oportunidade para examinar áreas de pastagens alagadas, florestas e zonas úmidas.
A publicação completa dos resultados pode levar meses ou anos, conforme o raciocínio dos pesquisadores. A prioridade imediata é entender como proteger as espécies novas e as já existentes no planalto, bem como os habitats de que dependem.
Conservação e proteção do planalto
O The Wilderness Project busca formalizar a proteção de Lisima nas próximas décadas. Em 2025, 5,4 milhões de hectares do planalto foram reconhecidos pela conservação. Em 2024, a Ramsar nomeou Lisima Lya Mwono como zona úmida de importância internacional, destacando a relevância das águas subterrâneas para o ecossistema regional.
O objetivo a longo prazo é que as conclusões do levantamento subsidiem decisões de uso da terra que preservem habitats. Assim, a prioridade não é apenas documentar novas espécies, mas manter intactos os ecossistemas de Lisima.
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