- Estudos do projeto Elasmopower apontam que campos eletromagnéticos de cabos de usinas eólicas offshore podem afetar tubarões e raias, variando conforme a espécie e o estágio de vida.
- Em catsharks de manchas pequenas e na raya espinhuda, ocorreram respostas comportamentais e de desenvolvimento sob exposição aos EMFs.
- Embriões de raya espinhuda expostos a EMFs ficaram mais ativos, o que pode aumentar o risco de predação; não houve diferenças relevantes em eclosão, crescimento ou tempo de desenvolvimento.
- Levantamentos com eDNA detectaram cinco espécies de tubarões e raias ao redor de parques eólicos no Mar do Norte, sugerindo que os locais podem atuar como refúgios, ainda com lacunas de conhecimento.
- Medidas de mitigação consideradas incluem enterrar cabos mais profundamente, agrupá-los para reduzir o tamanho do EMF e desviar infraestrutura de habitats sensíveis.
O projeto Elasmopower, realizado ao longo de seis anos, avaliou como campos eletromagnéticos gerados por cabos submarinos de parques eólicos offshore afetam tubarões e raias no fundo do mar. Os resultados foram apresentados em Colombo, no Sri Lanka, durante a Sharks International 2026.
A pesquisa envolveu duas espécies europeias, o tubarão-azulejo pequeno (Scyliorhinus canicula) e a raia-murina (Raja clavata), expostas a campos EMF similares aos próximos a cabos ativos. Embriões, juvenis e adultos foram testados para capturar variações de estágio de vida.
Os autores observaram respostas diferentes por espécie e desenvolvimento. Embriões de raia-murina expostos a EMFs tornaram-se mais ativos, o que pode aumentar a visibilidade para predadores. Já os tubarões não mostraram mudanças claras na hatching.
Paralelamente, análises de eDNA em águas de parques eólicos no Mar do Norte detectaram cinco espécies de tubarões e raias ao redor das estruturas, sugerindo que os perímetros podem funcionar como refúgios. Contudo, lacunas de conhecimento persistem.
Os pesquisadores também compararam cabos de corrente alternada (AC) e corrente contínua (DC). Em tubarões adultos, o AC não provocou atração ou aversão significativa, enquanto o DC reduziu a atividade e acelerou mudanças de movimento em 25%.
Estudos de campo mostraram que o eDNA incluiu espécies como a raia-murena, a bagre-de-fundo e a jaquita-estrela, entre outras. A hipótese é de que parques eólicos podem restringir atividades pesqueiras, favorecendo zonas de proteção.
Os cientistas destacam a necessidade de compreender melhor como EMFs influenciam interações predador-presa, migração e reprodução, principalmente quando combinados a outros estressores marinhos. Medidas como enterramento de cabos e redirecionamento de infraestruturas são discutidas.
Wageningen reforça que energia renovável oceânica e conservação não precisam se opor, desde que haja entendimento ecológico inicial. Hermans aponta a importância de orientar o desenvolvimento energético com base em evidências para evitar impactos indevidos.
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