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Clima quente prejudica safras na Ásia com El Niño ganhando força

El Niño severo pode agravar a seca na Ásia, pressionando safras de arroz, trigo e óleo de palma e elevando o risco para o abastecimento global

Os preços do arroz estão subindo, embora a Índia, que responde por 40% das exportações globais, esteja com amplos suprimentos após anos de colheitas quase recordes.
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  • O El Niño, com secas intensas esperadas na segunda metade de 2026, está prejudicando safras na Ásia e elevando preços de trigo e arroz.
  • A Índia enfrenta monções mais secas e temperaturas acima da média, dificultando o plantio de safras de verão.
  • Países do Sudeste Asiático, incluindo Tailândia e Indonésia, têm áreas com chuva abaixo do normal, impactando arroz e óleo de palma.
  • A Indonésia e áreas de Sumatra e Java passam por períodos sem chuvas superiores a 10 dias, com previsão de chuvas médias a baixas em junho.
  • Os preços do arroz subiram cerca de 15 por cento no último mês, enquanto o trigo já registra alta de cerca de vinte por cento desde o início de 2026.

O El Niño severo e a seca que já afetam a Ásia estão prejudicando safras em várias regiões, elevando temores sobre o abastecimento de alimentos. A combinação de clima quente, chuvas abaixo da média e custos de produção pressionados por dificuldades de fertilizantes e diesel coloca agricultores em alerta. Analistas mantêm a expectativa de impactos significativos até a segunda metade de 2026.

Na Índia, o serviço meteorológico reduziu a previsão de chuvas para a temporada de monções, que representa cerca de 70% do total anual. O calor excessivo dificulta a semeadura das safras de verão, com o plantio atrasado e temores de chuvas insuficientes depois da chegada das monções. A produção envolve arroz, soja e milho, entre outros.

Em países do Sudeste Asiático, a seca compromete arroz e óleo de palma. Agricultores relatam rendimentos incertos e riscos maiores para as lavouras, especialmente em áreas monitoradas por meteorologia local. Na Indonésia, Java e partes de Sumatra registraram longos períodos sem chuva, com previsão de continuidade de nebulosidade e chuvas abaixo da média em junho.

Paralelamente, o enfraquecimento da oferta global de trigo e arroz começa a se refletir no mercado. Os preços do trigo tiveram alta de cerca de 20% desde o início de 2026, impulsionados por preocupações com a seca nas principais regiões produtoras. Já o arroz exportado para o Sudeste Asiático subiu aproximadamente 15% no último mês.

O El Niño, esperado para se fortalecer na segunda metade de 2026, deve trazer clima seco na Ásia e chuvas excessivas nas Américas, ampliando riscos para a produção de alimentos. Especialistas destacam que o efeito global tende a começar no Sudeste Asiático, Índia e Austrália, antes de atingir outras regiões.

Na Austrália, a seca e o atraso na semeadura do trigo são recorrentes. Agricultores relatam que suas áreas de cultivo permanecem retidas em cerca de 30% a menos do que o potencial, devido às condições climáticas adversas e à incerteza sobre o comportamento do El Niño nos próximos meses.

Fontes do setor destacam ainda o peso da conjuntura internacional. A guerra no Irã agrava a escassez de fertilizantes e diesel, elevando custos de produção para produtores de diversas culturas. Com isso, há preocupação de menor oferta e maior volatilidade de preços no curto prazo.

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