- Estudo publicado na Nature mostra que futuras rainhas são criadas em berços reais dentro da colmeia, construídos por operárias jovens que cuidam das larvas.
- Os berços são feitos de cera menos densa e com composição química diferente, retêm calor e umidade, distinguindo-se dos faves usados para operárias.
- Um grupo de operárias jovens, chamadas de construtoras de células reais, mantém temperaturas mais altas para acelerar o desenvolvimento; a rainha leva cerca de dezesseis dias para ficar adulta, enquanto a operária leva cerca de vinte e um.
- Experimentos mostraram que, se as larvas são colocadas em células de cera comum, mesmo com a mesma dieta, há maior mortalidade e as rainhas ficam menores.
- O padrão aparece em espécies europeias e asiáticas, sugerindo que o mecanismo evoluiu há milhões de anos, através do esforço coletivo da colônia para moldar a liderança.
O estudo publicado na revista Nature revela que a formação de uma rainha entre as abelhas vai além da alimentação com geleia real. Pesquisadores identificaram berços reais dentro da colmeia, estruturas especiais criadas por operárias jovens que atuam como cuidadoras da monarquia.
Esses berços possuem características físicas e químicas próprias, funcionando como ambientes projetados para favorecer o desenvolvimento da futura líder. A descoberta contrasta com a visão de que apenas a dieta determina a rainha.
Berços reais e operárias cuidadoras
As células onde as rainhas se desenvolvem diferem significativamente dos favo usados para as operárias. São formadas com uma cera menos densa e mais maleável, que Retém calor e umidade, além de uma composição química específica para o crescimento da rainha.
Experimentos mostraram que larvas destinadas a virar rainha, colocadas em células de cera comum, tiveram maior mortalidade e amadureceram menores, mesmo com a mesma alimentação. Isso evidencia a importância do ambiente adequado.
Construtoras de células reais
Foi identificado um grupo de operárias jovens especializado na construção e manutenção dessas estruturas, batizado como construtoras de células reais. Elas mantêm temperaturas corporais mais elevadas, contribuindo para o cuidado das larvas.
O calor adicional acelera o desenvolvimento: a rainha chega à fase adulta em cerca de 16 dias, frente a 21 dias das operárias. Esse ritmo é decisivo para a substituição rápida da líder da colônia.
Material e técnicas usadas
As abelhas não reutilizam apenas a cera disponível; selecionam materiais de outras partes da colmeia, modificam sua composição e incorporam às células reais. Experimentos com partículas de grafite permitiram rastrear esse processo de coleta e transformação de materiais.
Os pesquisadores destacam que o padrão observado em espécies europeias e asiáticas sugere uma evolução antiga dessa estratégia, há milhões de anos, não sendo exclusivo de uma região.
Implicações da pesquisa
A pesquisa amplia a compreensão de como fatores ambientais e sociais influenciam o desenvolvimento de organismos. Conclui que a rainha resulta do esforço coletivo da sociedade da colmeia, e não apenas da dieta que recebe.
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