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Feminismo de dados: nova pauta da esquerda universitária

Feminismo de dados ganha espaço na academia, indústria e regulação, mostrando que algoritmos refletem escolhas humanas e a distribuição de poder

Imagem de um estudo do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) que mostrou como sistemas de reconhecimento facial podem apresentar resultados diferentes para grupos distintos de pessoas, principalmente entre homens e mulheres. A pesquisa virou referência entre os divulgadores do feminismo de dados (Foto: Divulgação/Gender Shades/MIT)
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  • Disciplina Feminismo de Dados surgiu no Instituto de Computação da Unicamp, com a professora Sandra Ávila, referência em IA.
  • A ideia é que algoritmos não são neutros e refletem escolhas humanas, o que pode reproduzir preconceitos se não houver cuidado com os dados.
  • O conceito ganhou força nos EUA a partir de 2020 e chegou à linguagem das big techs e a regulações no Brasil, incluindo projeto de IA aprovado pelo Senado em 2024.
  • Casos históricos citados: a Amazon removeu sistema de recrutamento por tendenciosidade contra mulheres; auditoria do MIT mostrou maior erro de reconhecimento facial em mulheres negras.
  • Críticos alertam para riscos de transformar justiça social em política pública, com falta de regras claras para aplicar a teoria na prática e evitar descrições enviesadas.

No Instituto de Computação da Unicamp, uma disciplina incomum tem ganhado espaço entre IA e algoritmos: Feminismo de Dados. A proposta reúne tecnologia e teoria social para discutir como dados e sistemas refletem decisões humanas e podem reproduzir preconceitos.

A professora responsável, Sandra Ávila, é doutora pela UFMG e pela Sorbonne, reconhecida na área de IA e premiada pelo Google. O currículo evidencia uma atuação que atravessa fronteiras entre ensino técnico e pesquisa. O tema já é tema de debates internos na universidade.

O feminismo de dados parte da premissa de que algoritmos não são neutros, já que envolvem escolhas sobre coleta, organização e uso de informações. Assim, podem veicular vieses se não houver cuidado com o design e a diversidade das equipes.

A prática busca evitar que a visão de mundo de determinados grupos se imponha aos sistemas. Em entrevistas, Sandra destaca que dados representam poder e que o tema envolve distribuição de recursos e oportunidades.

A ideia ganhou espaço além dos laboratórios. Grandes empresas de tecnologia passaram a adotar termos como IA responsável, equidade algorítmica e diversidade de dados, refletindo uma incorporação gradual na linguagem corporativa.

No Brasil, o andamento regulatório acompanha a tendência. O projeto de regulação da IA, aprovado pelo Senado em 2024, exige explicação de decisões automáticas e avaliação de discriminações associadas a raça e gênero.

Críticos afirmam que a proposta pode ir além da correção técnica, incorporando uma agenda de justiça social desde a construção dos sistemas. O tema gera perguntas sobre quem define regras e o que é considerar algoritmo justo.

Para pesquisadores, há riscos de que a abordagem científica se traduza em militância ou normas vagas, sem mecanismos operacionais claros para avaliação de sistemas. A falta de diretrizes práticas é apontada como entrave.

Especialistas apontam ainda que a tendência de classificar dados e situações envolve o comportamento humano básico de categorização, extrapolando para a IA. O debate, porém, permanece centrado em quem decide os valores que entram nas máquinas.

Ao buscar a versão da pesquisadora Sandra Ávila para entrevista, a Gazeta do Povo obteve respostas parciais: houve interesse em colaborar por escrito, mas não houve envio de respostas às perguntas até o fechamento desta edição.

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