- Lapsos de memória costumam refletir dificuldade de atenção, não apenas esquecimento.
- A alta velocidade de consumo de informações e a necessidade de multitarefa dificultam o foco e prejudicam a formação de lembranças.
- Mudanças de humor, estresse constante e cortisol alto podem comprometer a memória, com o burnout citado como consequência em alguns casos.
- A pandemia de Covid deixou memórias mais nebulosas para muitas pessoas, influenciadas pela saúde mental, sono ruim e rotina estressante; parte das pessoas com Covid longa relatou comprometimento cognitivo.
- Para fortalecer a memória, recomenda-se reduzir atividades simultâneas, praticar mindfulness, evitar terceirizar informações, manter exercícios aeróbicos, sono adequado, alimentação equilibrada, leitura e atividades que envolvam memórias, como jogos e lembrar caminhos sem GPS.
A memória pode falhar não apenas por esquecimento, mas pela dificuldade de manter o foco. Em meio à vida acelerada e à sobrecarga de estímulos, lapsos parecem mais comuns, e a questão é se estamos esquecendo ou apenas distraídos.
O tema ganha peso quando esses momentos afetam trabalho, relacionamentos ou saúde. Em alguns casos, disfunções hormonais, como no climatério, ou doenças neurológicas podem influenciar, mas as causas costumam ser mais simples.
Segundo o neurologista Richard Restak, muitos lapsos decorrem de atenção deficiente. Para que a lembrança se consolide, é preciso estar presente no momento em que a informação é gravada.
A sociedade atual, com foco produtivo e velocidade de consumo de dados, dificulta manter uma única tarefa. A dispersão tende a superar o foco, impactando a memória cotidiana.
A ligação entre hipocampo e amígdala explicaria por que quem vive com depressão pode ter mais dificuldade de lembrar. O estresse constante eleva hormônios que prejudicam a função cognitiva.
Altay de Souza, da Unifesp, explica que cortisol alto repetidamente pode saturar o cérebro, em fenômeno relacionado ao burnout quando a retenção de informações fica comprometida.
Efeito pandêmico
As lembranças da fase aguda da pandemia de Covid ficaram menos precisas para muitas pessoas. Fatores de saúde mental, ansiedade e sono ruim ajudam a explicar a sensação de esquecimento.
Um estudo envolvendo a UFRJ e a Unirio indicou que a proteína spike pode ter efeito destrutivo no hipocampo em casos de Covid longa, com relatos de comprometimento cognitivo entre os acometidos.
Treinando a mente
É possível melhorar a memória com prática e mudanças simples no dia a dia. Evitar multitarefa e reduzir a velocidade de execução ajudam a manter o foco no que se faz.
Técnicas como mindfulness e meditação favorecem a concentração. Memorizar trajetos sem GPS ou seguir uma receita sem consultar o app também exercitam o cérebro.
Estimulação mental
Jogos como xadrez ou jogos de cartas fortalecem o armazenamento da memória. Brincadeiras de perguntas, Stop e memória ajudam a treinar a retenção de nomes e datas.
Leitura de ficção também fortalece a memória, pois acompanhar personagens e enredos exige conexões contínuas no cérebro.
Saúde e hábitos
Atividades físicas aeróbicas, como corrida, natação ou pedal, promovem neurogênese no hipocampo, melhorando a retenção de informações relevantes. Sono adequado, alimentação equilibrada e descanso regular também ajudam.
Manter anotações à mão e buscar aprender coisas novas são estratégias adicionais para manter o cérebro ativo e funcionando de forma mais eficiente a longo prazo.
Entre na conversa da comunidade