- Estudo longitudinal com 195 gestantes Munduruku mostra mercúrio acima do nível seguro da OMS em 97% das mulheres, com média de 9,1 µg/g no cabelo.
- O pico observado foi de 39,9 µg/g, 20 vezes o teto considerado tolerável.
- Deste grupo, 134 já deram à luz e cerca de 90% dos bebês nascem com mercúrio no organismo, com média de 5,8 µg/g; o maior caso apresentado foi 30,8 µg/g.
- O acompanhamento dessas crianças ocorrerá nos próximos dois anos para avaliar possíveis impactos no neurodesenvolvimento.
- No país, já são 751 casos identificados de indígenas contaminados por mercúrio, sendo 318 no Pará e 378 em Roraima (Yanomami).
O mercúrio contamina gestantes da Terra Indígena Munduruku, no Médio Tapajós, Pará. Dados preliminares indicam concentrações quatro vezes superiores ao limite seguro da OMS. A média entre as gestantes monitoradas é de 9,1 µg/g em cabelo.
O estudo longitudinal envolve gestantes e recém-nascidos da região. Dos 195 mulheres acompanhadas, 97% apresentaram mercúrio acima do limite. O dado extremo chegou a 39,9 µg/g, cerca de 20 vezes o valor considerado seguro.
Entre as mães já deram à luz, 90% dos bebês nasceram com mercúrio no organismo. A média dos recém-nascidos é de 5,8 µg/g, três vezes o teto seguro; houve casos de 30,8 µg/g, 15 vezes acima do limite.
Dados do estudo
Segundo Paulo Basta, coordenador da pesquisa, o mercúrio pode alcançar o feto pela placenta e impactar o neurodesenvolvimento. A equipe acompanha curvas de crescimento, peso e estatura dos bebês nos dois primeiros anos de vida.
O estudo é realizado pela ENSP/Fiocruz. Os pesquisadores destacam que a notificação oficial de casos de contaminação por mercúrio ainda é limitada no Brasil, dificultando estatísticas nacionais.
A rodagem do garimpo ilegal na Amazônia alimenta a contaminação. O uso do mercúrio para separar o ouro dos sedimentos resulta em rios e seres vivos contaminados, especialmente peixes, fonte alimentar principal do povo Munduruku.
A liderança Munduruku, representada por Alessandra Korap, relata a mobilização da comunidade após os primeiros resultados de 2022. Há apreensão sobre sérios impactos à saúde materna e infantil.
Segundo dados de MapBiomas, cerca de 92% da garimpagem no Brasil ocorre na Amazônia, com boa parte dedicada à extração de ouro. O garimpo, legal ou ilegal, está ligado a desmatamento, violência e evasão de recursos.
Organizações ambientais apontam fraquezas nos licenciamentos ambientais e na fiscalização estadual, o que complicaria a gestão socioambiental da atividade. O Ministério Público do Pará cobra atuação dos entes públicos nessa pauta.
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