- Três estudos usados por RFK Jr. e aliados para defender mudanças controversas na política de vacinas foram removidos, retratados ou colocados em investigação pelas revistas que os publicaram nos últimos dois meses.
- Os trabalhos questionavam a segurança das vacinas, com uma linha comum de sugerir maior risco de problemas de saúde em crianças vacinadas do que em não vacinadas; cada um enfrentou críticas por metodologias fracas.
- Um estudo de Neil Z Miller, de 2021, associou vacinação ao SIDS com base em dados do sistema VAERS; outro de Miller e Brian S Hooker, de 2020, sugeriu maiores taxas de atrasos no desenvolvimento e asma em crianças vacinadas; o terceiro, de Gallagher e Goodman, de 2010, ligava Vacina de hepatite B a autismo em meninos.
- A revista Sage Open Medicine colocou uma “expressão de preocupação” em maio e abriu investigação; em maio, o paper foi retratado por falhas metodológicas consideradas graves.
- Mesmo com as retratações e investigações, alguns autores contestam as decisões, afirmando manter a validade das metodologias, enquanto especialistas associam os trabalhos à disseminação de desinformação sobre vacinas.
Três estudos que questionaram a segurança de vacinas e foram usados por representantes do governo dos EUA para defender mudanças controversas na política de imunização estão sob escrutínio ou foram retirados pelos periódicos que os publicaram. As ações ocorrem anos após críticas de especialistas à qualidade metodológica dos trabalhos.
Os papers sob investigação envolvem, respectivamente, autores como Neil Z Miller e coautores; a segunda publicação envolve Miller com Brian S Hooker; e a terceira é de Carolyn M Gallagher e Melody S Goodman. Todos apontavam maior risco de problemas de saúde em crianças vacinadas em comparação com não vacinadas.
A primeira publicação, de 2021, apareceu na Toxicology Reports e discutiu possível relação entre vacinas e SIDS. A segunda, de 2020 na Sage Open Medicine, associava vacinados a maiores taxas de atrasos no desenvolvimento, asma e outras condições. A terceira, de 2010 no Journal of Toxicology and Environmental Health Part A, sugeria associação entre vacina de Hepatite B nos primeiros dias de vida e autismo.
A editors’ note e um processo de avaliação abrangeram os três trabalhos após controvérsias levantadas pela comunidade científica. Em um caso, o artigo foi retirado por falhas metodológicas identificadas por avaliadores independentes. Em outro, a editora inseriu uma nota de preocupação antes de avançar com uma possível retratação.
Segundo especialistas, as publicações foram utilizadas para alimentar dúvidas sobre a segurança vacinal e influenciar políticas públicas, incluindo revisões de postura de órgãos como o CDC. Pesquisadores destacam que decisões assim precisam de evidência robusta e replicação independente.
Um jornalista e advogado associado a Kennedy defendeu as teses apresentadas nos papers, afirmando que há evidências suficientes para sustentar mudanças na imunização. As fontes indicam que tais argumentos foram usados para justificar alterações em recomendações federais.
A Sage Open Medicine confirmou que o paper sobre vacinas e saúde infantil está sob investigação e citou uma avaliação em curso. A reavaliação ocorre após denúncias de falhas na metodologia, com o objetivo de esclarecer pontos técnicos e evitar impactos indevidos na saúde pública.
O processo de retirada de um dos textos ocorreu após uma revisão estatística independente identificar falhas. A editora ressaltou que a decisão foi tomada após debate com especialistas e considerando riscos potenciais à saúde pública.
Autor(es) envolvidos negam que as críticas aos trabalhos comprometam a integridade de suas pesquisas. A comunidade científica continua monitorando as publicações para assegurar padrões de evidência adequados e evitar desinformação em políticas de vacinação.
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