- A ABNT publicou em 5 de novembro de 2025 a norma NBR ISO/IEC 30173:2025, que estabelece conceitos e terminologia para gêmeos digitais no Brasil, visando padronizar linguagem técnica e ampliar interoperabilidade.
- Gêmeos digitais são cópias virtuais de fábricas, linhas de produção, equipamentos e fluxos operacionais para identificar gargalos, testar cenários e otimizar processos antes de mudanças físicas.
- A expansão de datacenters no país já é vista em projetos de grande porte, como o Campus Tamboré, da Scala Data Centers, em Barueri, com 450 MW de capacidade de TI.
- A norma é técnica e não cria obrigações regulatórias; pode embasar contratos, editais e auditorias, ajudando na monitorização, simulação e uso de energia, sem substituir normas de segurança.
- Especialistas destacam ganhos de eficiência, governança de dados e soberania digital, com perspectivas de integração dos gêmeos digitais ao metaverso industrial e ao fortalecimento de ecossistemas digitais críticos.
A ABNT publicou a norma NBR ISO/IEC 30173:2025, em 05/11/2025, para padronizar conceitos e terminologia de gêmeos digitais no Brasil. A medida cria uma linguagem técnica comum para indústria, energia e datacenters, em meio ao avanço de IA e computação em nuvem. O objetivo é facilitar monitoramento, simulação e eficiência energética.
Os gêmeos digitais permitem reproduzir virtualmente fábricas, linhas, equipamentos e fluxos operacionais para identificar gargalos, testar cenários e planejar mudanças sem intervenção física imediata. Com isso, decisões ganham agilidade, riscos de implementação reduzem e a resiliência operacional aumenta.
A expansão de datacenters já é vista em projetos de grande porte. O Campus Tamboré, da Scala Data Centers, em Barueri, apresenta capacidade de 450 MW de TI, ilustrando a demanda energética associada à infraestrutura digital no país. A padronização reduz ambiguidades e favorece a interoperabilidade entre sistemas.
Padronização ABNT alicerça a escalabilidade da indústria 4.0
A norma estabelece vocabulário técnico que facilita a integração de gêmeos digitais em infraestruturas reais, conectadas a sensores e bases de dados. Ela sustenta o monitoramento de redes, geradores e datacenters, além de contribuir para manutenção preditiva e melhor uso de energia.
Segundo especialistas, a padronização é vista como base para a escalabilidade da indústria 4.0. O gêmeo digital deixa de ser apenas ferramenta de monitoramento e passa a integrar plataformas de simulação de alta fidelidade para validação de processos críticos, com interoperabilidade entre ativos.
Limites técnicos e riscos operacionais
Gestores alertam que a qualidade dos resultados depende de dados confiáveis, sensores calibrados e integração entre sistemas. Em infraestruturas críticas, modelos mal alimentados podem gerar diagnósticos imprecisos, ampliar a superfície de ataque e criar falsa sensação de controle. A tecnologia deve apoiar decisões, não substituir auditorias, manutenção e normas de segurança.
Profissionais destacam ainda a importância de governança de dados, segurança cibernética e capacitação das equipes, para reduzir riscos e ampliar a confiabilidade das soluções em datacenters, energia e manufatura.
Soberania digital e governança de dados
A consolidação de gêmeos digitais pede controle sobre grandes volumes de dados de consumo energético, operação e telemetria industrial. O manejo, armazenamento e processamento dessas informações ganha relevância estratégica diante da dependência de plataformas digitais globais e da demanda por processamento local.
Especialistas defendem uma abordagem integrada de soberania digital, com infraestrutura energética resiliente, governança de dados segura e capacidade nacional de processamento, para ampliar autonomia operacional e segurança cibernética.
Integração ao metaverso industrial
A governança de dados abre caminho para a integração dos gêmeos digitais ao metaverso industrial, ampliando a capacidade de análise e planejamento em setores como energia, manufatura e infraestrutura. Equipes técnicas podem testar cenários e planejar ajustes antes de aplicá-los a ativos físicos, reduzindo riscos de interrupções.
Para especialistas, a integração no metaverso industrial pode acelerar decisões, com ganhos de segurança operacional e menor probabilidade de falhas em operações críticas. O tema é visto como uma etapa natural da transformação digital no setor industrial brasileiro.
Janela de oportunidade para o Brasil
Economistas e especialistas ressaltam que o Brasil tem condições favoráveis para avanços em gêmeos digitais, combinando matriz energética renovável, expansão de datacenters, demanda por IA e a padronização técnica da ABNT. A aposta é que a padronização alicie investimentos, aumente a eficiência e fortaleça a soberania tecnológica.
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