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DNA antigo de 12 leões-dos-cavernas da Sibéria é revelado

DNA antigo de leões-das-cavernas mostra separação de cerca de 1,5 milhão de anos dos leões modernos e cruzamentos ao longo de milênios

DNA antigo revela história singular do leão-das-cavernas extinto — Foto: Universidade de Cardiff
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  • estudo publicado na revista Cell analisou o DNA de doze leões-das-cavernas da Sibéria, com amostras datadas entre 17 mil e mais de 100 mil anos.
  • ao comparar os genomas com os de vinte leões modernos da África e do sul da Ásia, os pesquisadores mostraram que os leões-das-cavernas se separaram dos modernos há cerca de 1,5 milhão de anos, apesar de cruzamentos anteriores.
  • entre os espécimes, havia dois filhotes excepcionalmente bem preservados.
  • foram identificadas mutações exclusivas que afetam proteínas e alterações em genes ligados à função cerebral, visão, crescimento e desenvolvimento circulatório.
  • a mistura genética entre os grupos ocorreu durante períodos de glaciação, incluindo um leão-das-cavernas de cerca de 20 mil anos na Ásia Central-Oriental com entre 3,2% e 4,4% de ancestralidade de leão moderno.

Um estudo publicado na revista Cell na quarta-feira (3) revela o DNA antigo de 12 leões-das-cavernas coletados na Sibéria. Os pesquisadores compararam esses genomas com 20 leões modernos da África e do sul da Ásia para entender a relação entre as espécies, o tempo de separação e possíveis cruzamentos.

Os dados mostram que Panthera spelaea se separou dos leões modernos há cerca de 1,5 milhão de anos, muito antes do que se estimava. Os espécimes da Sibéria datam de aproximadamente 17 mil a mais de 100 mil anos, incluindo dois filhotes bem preservados.

Os autores destacam que os leões-das-cavernas apresentavam mutações que podem alterar a função de proteínas, além de um excesso de alterações em genes ligados a cérebro, visão, crescimento e desenvolvimento circulatório. Essas características apoiam a ideia de diferenças biológicas marcantes entre as espécies.

Interação com leões modernos

A pesquisa aponta que, apesar das diferenças, houve cruzamentos entre os dois grupos ao longo de dezenas de milhares de anos, possivelmente em resposta a mudanças climáticas. A genética dos leões modernos pode ter ingressado no genoma dos leões-das-cavernas em períodos de glaciação.

Além disso, a presença de leões modernos na África e na Ásia ajudou a explicar parte da ancestralidade detectada nos amostras. Em um exemplar de cerca de 20 mil anos encontrado na Ásia Central, foi identificada de 3,2% a 4,4% de ancestralidade de leão moderno.

Essa mistura genética ocorre em contextos de maior conectividade entre populações, quando expansões de gelo alteraram habitats e favoreceram contatos entre grupos de felinos.

Conclui-se que os leões-das-cavernas representaram uma das megafaunas mais impactantes do Hemisfério Norte, com história evolutiva entrelaçada à dos leões modernos.

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