- A molinésia-amazônica (Poecilia formosa), formada apenas por fêmeas, vem se clonando há mais de cem mil anos.
- Pesquisadores da Universidade do Missouri, nos Estados Unidos, identificaram um mecanismo chamado conversão genética que ajuda a manter o DNA saudável ao longo das gerações.
- Em 2018, o genoma da espécie foi mapeado e, surpreendentemente, não mostrava sinais de deterioração genética acumulada pela clonagem.
- O estudo, publicado na Nature, usou sequenciamento de leitura longa para comparar os dois genomas herdados pelos ancestrais e encontrou taxas de mutação diferentes entre eles.
- Os autores sugerem que a conversão gênica funciona em ritmo ideal, promovendo genes benéficos e eliminando os prejudiciais, o que poderia explicar a longevidade da espécie e apontar caminhos para compreender reprodução sem sexo em outros animais.
A molinésia-amazônica, Poecilia formosa, é formada apenas por fêmeas e se reproduz por clonagem sem exigência de parceiro. Pesquisadores da Universidade do Missouri, nos EUA, anunciaram, em estudo publicado na Nature, que identificaram um mecanismo de conversão genética que mantém o DNA estável e saudável por mais de 100 mil anos.
A descoberta sugere que a espécie consegue eliminar mutações prejudiciais ao longo das gerações, mantendo a diversidade suficiente para evitar o colapso genético esperado em reprodução assexuada. O achado desafia modelos evolutivos que previam extinção em períodos longos sem recombinação sexual.
A molinésia-amazônica surgiu há mais de 100 mil anos a partir do cruzamento entre machos e fêmeas de peixes de duas espécies distintas. Desde então, suas descendentes se clonam geração após geração, o que torna o seu caso um exemplo raro de evolução sem sexo.
Como funciona a conversão genética
Em 2018, o genoma da espécie foi mapeado pela primeira vez, sem sinais de deterioração esperada. Pesquisadores usaram sequenciamento de leitura longa para comparar os genomas herdados dos ancestrais, revelando diferenças na taxa de mutação entre os dois conjuntos.
A análise mostrou que os dois genomas dentro das células acumulavam mutações em ritmos distintos. Esse equilíbrio, segundo os autores, evita acúmulo de mutações danosas enquanto favorece a propagação de genes benéficos.
Segundo os autores, a conversão genética opera em um ritmo que sustenta a saúde genética sem depender do DNA de parceiros. A descoberta implica que a reprodução assexuada pode, em alguns casos, preservar diversidade genética por meio de processos semelhantes aos da reprodução sexuada.
Implicações e próximos passos
A pesquisa oferece nova visão sobre evolução de organismos que não se reproduzem sexualmente e abre a possibilidade de que outras espécies que também se reproduzem assim possam empregar mecanismos parecidos para manter a diversidade genética.
Os cientistas destacam que o estudo pode influenciar áreas como melhoria genética de plantas e animais, além de contribuir para entender mutação e reparo do DNA relacionado a doenças.
O trabalho cita ainda que o entendimento desses processos pode esclarecer caminhos evolutivos de espécies como dragões-de-komodo e lagartos-chicote, que também apresentam reprodução assexuada em alguns estudos.
Entre na conversa da comunidade