- Estudo genético revela risco de extinção local de uma população única de gato-pampas adaptado a manguezais na costa norte do Peru, em San Pedro de Vice.
- A população do manguezal seco é formada por apenas nove felinos, todos relacionados, com apenas cerca de dois indivíduos ativamente reprodutivos.
- A diversidade genética é muito baixa e houve um gargalo genético, colocando a continuidade da população em perigo.
- A perda local poderia favorecer o aumento de roedores invasores, como o camundongo doméstico, elevando riscos de doenças para a fauna e para quem utiliza a área.
- Possíveis caminhos de conservação: proteger o habitat e a base de presas, considerar translocação (com complexidades regulatórias e ecológicas) ou ampliar conectividade entre áreas mangrove, avaliando populações vizinhas para criar corredor ecológico.
O estudo genético revelou risco de extinção para a população única de gatos-pampas adaptados a manguezais no litoral norte do Peru. A pesquisa, realizada há mais de uma década, envolve a pequena população de São Pedro de Vice, num manguezal seco classificado como site Ramsar. O objetivo era entender a persistência de uma espécie em ambiente inédito para ela.
A análise mostrou que esse grupo envolve apenas nove indivíduos, todos aparentados, com apenas cerca de dois aptos a se reproduzirem. A conclusão aponta para uma diversidade genética muito baixa e a ocorrência de um gargalo genético, elevando a vulnerabilidade local à extinção.
A origem do estudo está na observação de latrinas de gatos-pampas no manguezal seco. As equipes coletaram fezes para análises não invasivas, permitindo estimar tamanho populacional, parentesco e fluxo gênico. Os resultados mudaram a percepção sobre o estado da população.
A pesquisadora Alvaro Garcia, coordenador do Pampas Cat Working Group, ressalta que a população é única por viver em manguezal, cenário raro para a espécie. Em vez de priorizar outras áreas, a equipe revisou estratégias com base nos dados genéticos.
San Pedro de Vice abriga o menor registro de gatos-pampas, com apenas nove indivíduos, todos relacionados. A taxa de reprodução efetiva, estimada em duas, agrava as preocupações sobre a capacidade da população de manter genes na geração seguinte.
Manuel Santiago, principal autor do estudo, diz que a população parece estável apenas pela presença de indivíduos visíveis na área. Na prática, a diversidade genética é baixa e o gargalo pode levar à extinção local. A situação exige ações urgentes.
Entre os riscos, a exclusão local de predadores poderia estimular o crescimento de roedores não nativos, especialmente o camundongo doméstico. A equipe alerta para impactos na saúde de fauna e de pessoas que utilizam o manguezal para pesca e lazer.
Entre as medidas propostas, destacam-se a proteção do habitat e a manutenção da base de presas. Translocação de gatos de áreas vizinhas surge como solução, mas envolve dificuldades regulatórias e adaptação de espécies ao novo ambiente. Esse caminho é visto com ceticismo pela equipe.
O estudo atual consulta populações vizinhas de manguezal e áreas úmidas para avaliar diversidade genética e viabilidade. A ideia é, se possível, criar um corredor de vida selvagem que conecte populações. A viabilidade logística depende de acordos com autoridades locais e financiamento.
A equipe planeja usar cães de trabalho para localizar fezes de felinos de difícil acesso, ampliando o alcance das coletas em novas áreas. O objetivo é mapear a diversidade genética e orientarar ações de conservação mais eficazes.
O trabalho reforça a necessidade de monitoramento genético contínuo de gatos-pampas, mesmo quando fotografados por câmeras. A percepção de saúde populacional pode divergir da realidade genética, conforme alertam os pesquisadores. A população de manguezal permanece em situação crítica.
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