- Leucemia mieloide aguda resistente ao venetoclax pode ter a resistência revertida por inibidores de Nampt, com a metformina atuando em trabalhos relacionados.
- Pesquisas da USP, de Groningen (Holanda) e do Texas (Estados Unidos) mostraram que metformina e o inibidor de Nampt conhecido como KPT-9274 revertem a resistência e reintroduzem a sensibilidade ao venetoclax.
- O tema ganhou destaque em um editorial da revista Translational Cancer Research, capa da edição de abril, sinalizando um novo paradigma científico.
- Os estudos indicam convergência entre pesquisas independentes, sugerindo possível aplicação clínica em breve.
- O grupo brasileiro já iniciou um estudo clínico para levar essa abordagem à prática terapêutica.
Pesquisadores brasileiros apresentam uma técnica promissora para leucemia mieloide aguda resistente à quimioterapia. A LMA é um câncer agressivo das células sanguíneas e costuma progredir rapidamente.
Pacientes que usam o venetoclax, quimioterápico moderno, podem desenvolver resistência após cerca de dois anos de tratamento. A nova abordagem busca reverter essa resistência por meio de fármacos que atuam na produção de energia das células cancerosas.
A estratégia envolve inibidores da enzima Nampt, que impactam diferentes caminhos metabólicos de obtenção de energia celular. A ideia é tornar as células novamente sensíveis ao venetoclax para retomar o tratamento.
Observações-chave sobre os achados
Pesquisas lideradas pela USP, com colaboração de Groningen (Holanda) e Texas (EUA), mostraram resultados consistentes em modelos distintos. Metformina reduziu a resistência, e a combinação com o inibidor Nampt (KPT-9274) aumentou o efeito.
Em linhas celulares com resistência intrínseca, os holandeses observaram sensibilização ao venetoclax com metformina, com efeito mais forte na combinação com KPT-9274. Resultados são de estudos independentes, porém convergentes.
Já nos experimentos norte-americanos, células resistentes à citarabina também responderam ao inibidor Nampt, indicando ressignificação do tratamento quimioterápico em diferentes contextos.
Próximos passos e perspectivas
Segundo os pesquisadores, o desafio é traduzir os resultados pré-clínicos para estratégias clínicas viáveis. O grupo brasileiro já iniciou um estudo clínico envolvendo essa abordagem.
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