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Pantanal se enche de água após anos de seca e incêndios

Pantanal fica parcialmente inundado em Paiaguás, mas risco de incêndios persiste com El Niño e cenário seco para 2026

Corumbá, MS. 28/04/2026. Vista aérea de la región de Paiaguás (Foto: Lalo de Almeida/Documenta Pantanal)
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  • O Pantanal de Mato Grosso do Sul está inundado após anos de seca e grandes incêndios, com áreas acessíveis apenas por barco ou avião.
  • A última grande cheia ocorreu em dois mil e dezoito, e dados indicam oito anos consecutivos sem grande inundação na região.
  • O Brasil registrou récords de focos de incêndio em dois mil e vinte e três e dois mil e vinte e quatro; em dois mil e vinte e cinco a situação foi mais moderada, mas houve emergência ambiental por risco de incêndios em fevereiro.
  • A SOS Pantanal alertou que as chuvas da temporada úmida ficaram abaixo do esperado, elevando o risco de seca intensa e de incêndios em dois mil e vinte e seis; o El Niño pode aumentar temperaturas e reduzir precipitações.
  • O ministro do Supremo Tribunal Federal solicitou planos de preparação do governo federal e dos estados diante do crescimento do risco de incêndios; o Pantanal já perdeu setenta e um por cento da água, segundo o MapBiomas, em dois mil e vinte e quatro.

O Pantanal voltou a se encher de água após anos de secas e incêndios de grande magnitude. Em Paiaguás, no estado de Mato Grosso do Sul, áreas inteiras ficaram alagadas e algumas regiões só são alcançáveis por barco ou avião. A recuperação hídrica é considerada atípica para a região.

Segundo Ângelo Rabelo, diretor do Instituto Homem Pantaneiro, a visão atual oferece uma paisagem semelhante a um aquário natural, mas o cenário segue instável. Os registros indicam que 2023 e 2024 concentraram incêndios históricos no bioma, enquanto 2025 apresentou queda na intensidade das queimadas.

A atualidade não afasta a preocupação com o futuro. Em fevereiro foi declarada uma emergência ambiental por risco de incêndios, com vigência em algumas áreas até dezembro. Em março, a ONG SOS Pantanal destacou que as chuvas na temporada úmida ficaram abaixo do esperado nas cabeceiras, sinalizando possível seca intensa em 2026.

Riscos climáticos e históricos

Dados do Serviço Geológico do Brasil apontam que o Pantanal de Mato Grosso do Sul pode completar oito anos seguidos sem uma grande inundação, sendo a última em 2018. A perspectiva de El Niño aumenta a incerteza, pois o fenômeno tende a elevar temperaturas e reduzir chuvas na região.

Medidas e monitoramento

O ministro do STF Flávio Dino determinou que o governo federal e os estados apresentem planos de preparação para o aumento do risco de incêndios. O Pantanal já figura entre as áreas com maior perda de área de água no país, com queda de 61% no seu estoque aquático em 2024, segundo o MapBiomas.

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