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Robótica industrial tem futuro na América Latina, diz sócio da Sierra Ventures

Sierra Ventures aponta que a América Latina pode liderar a IA física, com suprimentos chineses acessíveis e menos entraves regulatórios, impulsionando robótica B2B

Shomik Ghosh
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  • Shomik Ghosh, sócio da Sierra Ventures, afirma que o futuro da robótica industrial pode vir da América Latina, por acesso à cadeia de suprimentos chinesa e menos barreiras regulatórias.
  • Nos Estados Unidos, o hardware enfrenta restrições; na América Latina é possível comprar atuadores, ímãs e peças da China para acelerar desenvolvimento.
  • A Sierra Ventures, com US$ 2 bilhões sob gestão, investe em startups da região e acompanha empresas como Yalo e Eden, com atuação no Brasil.
  • O ecossistema latino pode transformar drones de entrega em soluções B2B, como inspeção de linhas de alta tensão e detecção de falhas em obras, com software proprietário.
  • O Mercado Livre é citado como exemplo de liderança em automação; o objetivo é levar a robótica de uso atual a mercados massivos com soluções de software.

A Sierra Ventures aposta que o futuro da robótica industrial passa pela América Latina. Em entrevista à Bloomberg Línea, Shomik Ghosh afirmou que startups da região têm vantagem na chamada IA Física, pela cadeia de suprimentos chinesa e por menos entraves regulatórios.

Segundo o sócio da gestora, mercados emergentes podem liderar a próxima onda de inovação em hardware, com foco em quem compra atuadores, braços mecânicos e sensores diretamente de fornecedores chineses e já coloca isso em prática.

Ghosh explicou que, nos EUA, restrições de segurança nacional elevam custos e dificultam o acesso a componentes críticos, enquanto na América Latina esse obstáculo é menor. Esse cenário cria um atalho de desenvolvimento para a região.

Rota de suprimentos e regulatórios

A visão destaca que a China já oferece soluções prontas para mãos robóticas, permitindo que empreendimentos latino-americanos iniciem rapidamente a montagem de sistemas. O investidor citou fundadores do México, Brasil e Colômbia como exemplos.

A Sierra Ventures, com US$ 2 bilhões sob gestão, tem em seu portfólio startups de SaaS, deeptech e infraestrutura. Entre os casos citados, estão empresas mexicanas que atuam no Brasil.

Ghosh também destacou o papel de grandes players locais como laboratórios de robótica. Ele citou o Mercado Livre como referência em automação de centros de distribuição, que valida a adoção de robótica para entregas rápidas.

O próximo salto

Para o investidor, o foco pode migrar do consumidor para o B2B. A experiência com drones de entrega na América Latina pode se traduzir em aplicações para inspeção de linhas de alta tensão, detecção de falhas estruturais e segurança patrimonial.

Outro ponto é que, com a cadeia de suprimentos asiática democratizando o hardware, o diferencial competitivo tende a ficar no software: modelos treinados para interpretar dados gerados pelos robôs no mundo real.

Ghosh mencionou que ainda está buscando potenciais fundadores na área de robótica, mesmo sem operação direta na América Latina. A estratégia envolve usar IA para localizar empreendedores promissores na região.

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