- Ellie-May, 13 anos, produz conteúdo de skincare desde os oito, com mais de 330 mil seguidores no TikTok e a família faturando mais de £ 50 mil por ano com as plataformas.
- Existem muitas jovens que participam de vídeos de “get ready with me” e rotinas de cuidados, usando vários produtos e ingredientes, incluindo itens com funções anti‑envelhecimento.
- Dermatologistas e pesquisadores cunharam o termo cosmeticorexia, que descreve a obsessão por ter pele “perfeita” desde cedo; estudo com cinquenta e cinco pacientes de oito a 14 anos aponta uso excessivo de produtos e isolamento social.
- A autoridade italiana de concorrência abriu duas investigações sobre marcas do grupo LVMH (Sephora e Benefit) para verificar se há marketing dirigido a menores e uso de microinfluenciadores sem transparência; a Advertising Standards Authority do Reino Unido acompanha a situação.
- Há preocupação com possíveis danos à pele de crianças, incluindo reações, alergias e uso de ingredientes potentes como retinol; defensores ressaltam a necessidade de produtos adequados à idade e orientação responsável para pais e jovens.
A reportagem investiga o uso de skincare entre meninas jovens e o surgimento do termo cosmeticorexia, definindo-o como uma obsessão não saudável por pele perfeita desde cedo. O material aborda casos de influenciadoras mirins, como Ellie-May, de 13 anos, que já atua há anos nas redes sociais e gera renda familiar.
O texto descreve como vídeos com rotinas de cuidados com a pele, comuns em plataformas como TikTok, aparecem com frequência entre crianças de até 12 anos. Em muitos casos, as próprias adolescentes promovem produtos de marcas conhecidas, recebendo remuneração por postagens, brindes e participação em lançamentos.
O artigo aponta que a prática se tornou um segmento de bilhões de libras, impulsionado pelo conteúdo compartilhado por jovens e pela pressão estética promovida nas redes. Reguladores de alguns países passaram a observar o tema, com preocupação sobre impactos na saúde mental e na autoestima infantil.
Nos relatos, especialistas destacam que crianças utilizam múltiplos produtos, incluindo itens com ingredientes de uso anti-idade, que podem causar danos à pele sensível. Profissionais de dermatologia mencionam riscos como alergias, irritações e deterioração da barreira cutânea.
No âmbito regulatório, a Agência de Concorrência italiana (AGCM) abriu investigações sobre marcas associadas à Sephora e Benefit, para verificar se houve marketing velado voltado a jovens. As empresas afirmam cooperação com autoridades e disseram não direcionar campanhas para menores de idade.
Na Inglaterra, a Advertising Standards Authority acompanha a situação e avalia se existem evidências de práticas similares, sem ainda adotar medidas formais no momento. Pesquisas indicam que o custo médio de rotinas postadas por menores pode chegar a altas quantias.
Especialistas destacam que a demanda por skincare entre crianças não é apenas estética, mas envolve saúde dermatológica. Médicos relatam casos de reações adversas, alterações na pele e, em alguns casos, queda de barreira protetora devido ao uso prolongado de certos ativos.
A discussão também envolve impactos psicológicos. Pesquisadores apontam que a autoimagem de crianças pode passar a depender da aprovação recebida nas redes, elevando a possibilidade de transtornos de autoestima e de parâmetros de beleza. Estudos sugerem ligação com distúrbios de imagem corporal.
Entrevistas com profissionais de educação, psicologia e dermatologia ressaltam a necessidade de orientar famílias sobre uso adequado de produtos e sobre hábitos de higiene da pele apropriados para cada faixa etária. A orientação é priorizar a saúde cutânea infantil.
Sophie, mãe de Ellie-May, afirma monitorar os ingredientes dos produtos e evitar exposições a itens nocivos. O caso revela também a prática de participação de menores em lançamentos de marcas, com a filha integrando eventos e colaborando com criadores de conteúdo.
Independentemente do financiamento que a prática possa oferecer, especialistas enfatizam que é essencial separar consumo infantil de padrões de consumo adulto, protegendo crianças de pressões estéticas indevidas e de conteúdos que possam afetar seu desenvolvimento. A discussão segue em aberto entre reguladores, empresas e profissionais de saúde.
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