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Interior de SP produz uva gigante mais doce que cana-de-açúcar

Pilar do Sul produz a uva Pilar Moscato, com frutos maiores e maior doçura; exportações vão a Canadá, Europa, Ásia e Emirados; preço entre R$ 40 e R$ 60 por quilo

Pilar moscato ganhou destaque por tamanho acima do padrão e pelo sabor. (Foto: Talmon Alan Morioka/Arquivo APPC)
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  • Uva Pilar moscato foi criada em Pilar do Sul, após a chegada de mudas japonesas; hoje há oitenta héctares de plantio e sessenta mil videiras, com produção de oito hundred toneladas por ano.
  • A safra ocorre entre janeiro e abril, e o produto é exportado para Canadá, países da Europa, Ásia e Emirados Árabes Unidos.
  • A classificação oficial exige frutos acima de vinte e quatro milímetros e índice Brix de dezoito por cento; apenas vinte a trinta por cento da produção atinge esse padrão.
  • O preço já chegou a superar duzentos reais o quilo em alguns períodos; atualmente fica entre quarenta e sessenta reais.
  • Quando não atinge o padrão da Pilar moscato, a uva é comercializada em linhas alternativas, como moscatinho ou doce natural, com menos açúcar.

Em Pilar do Sul, interior de São Paulo, uma variedade de uva tem ganhado destaque pela agressiva doçura e pelo tamanho incomum dos frutos. A chamada pilar moscato surge como símbolo da produção local e passa a figurar entre as principais apostas da Cooperativa Paulista de Produtores de Caqui (APPC).

A fruta nasceu em testes na área experimental da cooperativa, após a chegada de um pesquisador japonês ao município. Mudanças genéticas resultaram da polinização cruzada, que permite novas combinações de características entre as plantas.

A polinização cruzada ocorre quando o pólen migra entre flores com a ajuda de agentes externos, gerando possibilidades de novas variedades. A pilar moscato foi adaptada ao clima da região, segundo a APPC.

Pilar do Sul na vitrine agrícola

Os produtores iniciaram o cultivo em 2008 e passaram a comercializar em 2011. Hoje, a produção atende também ao mercado internacional, com exportações para Canadá, Europa, Ásia e Emirados Árabes Unidos, segundo a cooperativa.

A área plantada soma 80 hectares, com cerca de 60 mil vinhedos e uma produção anual de 800 toneladas. A safra ocorre entre janeiro e abril, período em que os cachos são avaliados na Feaps, para definir os melhores exemplares da temporada.

De acordo com Tamon Alan Morioka, coordenador de marketing da APPC, a pilar moscato tem participação diferenciada na competição da feira, com critérios que englobam aparência, qualidade do cacho, padronização e sabor. Um cooperado venceu a edição deste ano.

Processo de seleção e mercado

A classificação da fruta é rigorosa. Nem toda a safra atinge os padrões exigidos pela cooperativa. Entre os principais fatores estão o tamanho e o índice de açúcar, medido pelo Brix.

Morioka explica que a pilar moscato só é colhida quando atinge 18% de Brix, enquanto uvas tradicionais costumam ficar em torno de 14%. Em medições com cana-de-açúcar, o índice chegou a 16%, evidenciando maior doçura.

A exigência de tamanho também é alta: apenas frutos acima de 24 milímetros recebem a classificação oficial. Entre 20% e 30% da produção anual atinge esse rótulo, enquanto o restante segue para outras linhas da cooperativa.

Nem todas as uvas que não alcançam o padrão oficial perdem valor. A APPC oferece linhas como a doçura natural, com índice Brix de 16%, e moscatinho para frutos que não atingem os 24 milímetros, mas mantêm boa qualidade sensorial. Isso amplia a variedade de comercialização da cooperativa.

Preço e perspectivas de mercado

A exclusividade de produção e o rigor do processo de seleção influenciam o preço. Em alguns períodos, o quilo já ultrapassou R$ 200, mas as cotações atuais oscilam entre R$ 40 e R$ 60, variando por região.

A cooperativa observa queda recente no poder de compra do consumidor, o que impacta a precificação local. Ainda assim, a pilar moscato mantém presença marcante no mercado interno e continua a ampliar exportações.

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