- A ONU alerta que a IA pode consumir água equivalente à necessidade anual da população global até 2030, além de dobrar o uso de energia e chegar a quase 3% do consumo mundial de eletricidade.
- Data centers ligados à IA podem demandar 945 TWh de eletricidade em 2030; em 2025, o consumo global foi de cerca de 448 TWh.
- O ChatGPT é usado como exemplo de escala, processando cerca de 2,5 bilhões de prompts por dia, o que representa aproximadamente 383 GWh de eletricidade por ano para um único produto.
- O consumo varia por tarefa: gerar imagens consome mais energia que classificar texto; vídeos curtos podem exigir energia equivalente a 200 mil classificações de spam.
- A recomendação é que governos, empresas e investidores incorporem água, energia, carbono e uso da terra nas decisões sobre IA, tratando impactos ambientais como riscos materiais.
O Papa da IA pode exigir mais água do que a humanidade consome anualmente até 2030, segundo a ONU. O alerta vem de um relatório do Instituto de Água, Meio Ambiente e Saúde da Universidade das Nações Unidas (UNU-INWEH). Mesmo com modelos mais eficientes, o uso de energia tende a crescer.
A análise aponta que o consumo de energia da IA pode dobrar até 2030, respondendo por quase 3% da eletricidade mundial. Em paralelo, as demandas de água para resfriamento e geração de energia podem superar a água necessária para toda a população mundial.
A pesquisa enfatiza que a IA não é apenas software: é uma infraestrutura física que depende de data centers, chips, redes elétricas, água, terras e minerais. O estudo utiliza o caso prático do ChatGPT para indicar a escala de consumo.
Impactos previstos
Os data centers ligados à IA poderiam usar 945 TWh de eletricidade em 2030, quase o triplo do consumo de Paquistão, Bangladesh e Nigéria juntos em 2025, quando somam 448 TWh. Esses números consideram a demanda de processamento de IA em diferentes tarefas.
Segundo o relatório, a energia varia conforme a tarefa: consultas a chatbots consomem mais do que classificações simples; gerar imagens exige mais; vídeos, ainda mais. Uma imagem pode representar cerca de 1.450 vezes o consumo de uma simples classificação de texto.
A estimativa também aponta que um vídeo curto exige energia equivalente a cerca de 200 mil classificações de spam. O estudo busca demonstrar que o avanço da IA traz impactos ambientais proporcionais à sua expansão comercial e social.
Recomendações
A UNU-INWEH sugere que governos incorporem água, energia, carbono e uso da terra nas decisões sobre IA. Para governos, isso envolve planejamento de data centers no apoio à rede elétrica e à gestão hídrica, além de licenciamento ambiental adequado.
Para empresas e desenvolvedores, a orientação é escolher modelos conforme a tarefa, limitar saídas desnecessárias e tornar padrões de uso mais transparentes. Investidores devem tratar impactos ambientais como riscos materiais em projetos de infraestrutura de IA.
A mensagem central não é frear a IA, mas mensurar seus custos ambientais e criar métricas comparáveis. Sem transparência, o avanço tecnológico pode transferir impactos para comunidades sem ganhos econômicos diretos.
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