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Problemas de pele afetam crianças que usam dispositivos para tratar diabetes

Estudo com 1.719 crianças aponta irritação, eczema e cicatrizes associadas ao uso de sensores de glicose e bombas de insulina, sinalizando impacto dermatológico

Uso contínuo de bombas de insulina e sensores de glicose tem causado problemas de pele em crianças com diabetes tipo 1, segundo estudo
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  • Estudo com 1.719 crianças e adolescentes acompanhou quatro semanas e mostrou problemas de pele em 52% dos usuários de bomba de insulina e em 30% dos que utilizam sensores de glicose, com eczema em 9% dos participantes.
  • A maioria dos participantes tinha diabetes tipo 1.
  • Dispositivos ajudam no controle glicêmico e na qualidade de vida, sendo considerados padrão-ouro em diretrizes internacionais, mas a indicação deve ser individualizada.
  • No Brasil, há desigualdade de acesso: sensores já estão em alguns serviços públicos, mas bombas de insulina dependem de judicialização ou de programas específicos.
  • Complicações na pele incluem cicatrizes, feridas e lipodistrofias; pele seca e queratose pilar elevam o risco. Normalmente são reversíveis, mas podem atrapalhar a adesão ao tratamento, exigindo cuidado com locais de aplicação e higiene.

O uso contínuo de sensores de glicose e bombas de insulina tem gerado problemas de pele em crianças e adolescentes com diabetes, sobretudo tipo 1. A pesquisa foi publicada na Hormone Research in Paediatrics e envolveu 22 centros, incluindo a Unicamp, no interior de São Paulo. Acompanhou 1.719 jovens ao longo de quatro semanas.

O estudo aponta irritação local com maior frequência entre usuários de bomba de insulina (52%) do que entre quem usa sensores de glicose (30%). A inflamação cutânea, ou eczema, apareceu em 9% dos participantes, tanto nas áreas de aplicação de bombas quanto de sensores.

Quase toda a amostra tinha diabetes tipo 1, a forma mais comum na infância e adolescência. O trabalho ressalta que, apesar dos benefícios das tecnologias para controle glicêmico, a indicação deve ser individualizada conforme idade, perfil clínico e suporte familiar.

Complicações na pele

A pesquisa também descreve cicatrizes, feridas e lipodistrofias associadas ao uso dos dispositivos. Crianças com pele muito seca ou com queratose pilar apresentaram maior risco de complicações dermatológicas, de duas a cinco vezes.

Especialistas explicam que a insulina injetada em locais com pH diferente da pele pode provocar inflamação. A combinação com adesivos e inserções repetidas aumenta a probabilidade de lesões em peles mais fragilizadas.

Apesar de a maioria das lesões ser reversível, elas podem atrapalhar o uso dos dispositivos ao comprometer a aderência ou a leitura da glicose. Em alguns casos, é preciso trocar o local de aplicação temporariamente e adotar hidratação e rodízio de locais.

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