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Doação de órgãos oferece nova chance a milhares de pacientes

Brasil, com um dos maiores programas públicos de transplantes, enfrenta desigualdades regionais que ampliam a fila de espera

Doação de órgãos salva vidas no Brasil - (crédito: Freepik )
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  • O Brasil mantém programa público de transplantes financiado pelo Sistema Único de Saúde, com lista única e critérios técnicos, mas enfrenta heterogeneidade institucional e geográfica.
  • O nefrologista e coordenador do Programa de Transplantes do Hospital Santa Lúcia, Elber Rocha, ressalta que o principal mérito foi estabelecer acesso universal, mesmo com desafios regionais.
  • O país registra cerca de 18 doadores por milhão de habitantes, bem abaixo de líderes como a Espanha, com média entre 45 e 48 doadores por milhão.
  • Em 2025, o Brasil teve recorde de mais de 31 mil transplantes de órgãos e tecidos, impulsionado pela acessibilidade do SUS.
  • A fila de espera envolve mais de oitenta mil pessoas, sendo quarenta e oito mil por órgãos sólidos e mais de trinta e dois mil por córneas; há dois tipos de doadores: falecidos (mó morte encefálica) e vivos.

A doação e o transplante de órgãos no Brasil funcionam como uma engrenagem que corre contra o relógio. Em 2025, o país registrou mais de 31 mil transplantes de órgãos e tecidos, impulsionados pelo SUS, e reforçou a regularidade do acesso. O objetivo é salvar vidas com critérios técnicos.

Apesar do avanço, a jornada é desigual. A média nacional de doadores é de 18 por milhão de habitantes, abaixo de referências internacionais, como a Espanha, que fica entre 45 e 48. A heterogeneidade institucional complica a notificação, o diagnóstico de morte encefálica e a logística.

O panorama de fila também aponta desigualdades. Mais de 80 mil brasileiros aguardam qualquer tipo de transplante. Cerca de 48 mil esperam por órgãos sólidos e 32 mil por córneas, segundo dados oficiais. O tempo de espera varia conforme a região e a capacidade dos sistemas locais.

Panorama nacional

A engrenagem envolve dois tipos de doadores: falecido, com morte encefálica, e vivo, envolvendo a retirada de rins ou parte do fígado, com avaliação médica e autorização judicial para casos não parentes. A prática busca ampliar o alcance e reduzir o tempo de espera.

A rotina clínica também é desafiadora. Médicos mantêm pacientes transplantados em vigilância constante, controlando infecções, anemia e condições cardíacas, para manter a elegibilidade da cirurgia. O acompanhamento é contínuo, com exames e imunossupressores.

Entre as dificuldades, a decisão pela doação costuma ocorrer em momentos de dor familiar. A autorização final cabe à família, o que reforça a importância de discutir o desejo de doar ainda em vida para reduzir dúvidas e ampliar o acesso.

O transplante melhora a qualidade de vida para muitos pacientes, possibilitando retorno a atividades, estudo e trabalho. Contudo, não há cura definitiva; o tratamento é permanente e envolve adesão a medicações e consultas regulares.

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