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Governo aponta risco de seca extrema e queimadas no segundo semestre

El Niño forte pode ampliar seca e queimadas no segundo semestre; governo cria sala de situação e amplia brigadistas e recursos de prevenção

Cenário com El Niño forte ou muito forte pode acarretar em agravamento das queimadas.
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  • Governo monitora cenário extremo de seca e queimadas para o segundo semestre, com uma sala de situação para acompanhar o El Niño junto à equipe técnica.
  • Cemaden aponta 70% de probabilidade de El Niño forte ou muito forte em 2026, com impactos como estiagem e incêndios, sobretudo no último trimestre.
  • Medidas incluem aumento do efetivo de brigadistas federais para 2026 (Ibama e ICMBio; total de 4.385), reforço do Fundo Amazônia e instalação de bases avançadas em regiões críticas.
  • CNM alerta fragilidades na prevenção; entre 2013 e 2025, desastres causaram prejuízos de R$ 785,4 bilhões, com 95,1% dos municípios atingidos.
  • Próxima reunião da sala de situação está programada para a última semana de junho, com ênfase em ações compartilhadas entre governo federal, estados e municípios.

O governo federal monitora um cenário extremo de seca e aumento de queimadas para o segundo semestre, com uma sala de situação reunindo técnicos para acompanhar as projeções do El Niño. A previsão aponta 70% de probabilidade de El Niño forte ou muito forte em 2026, o que pode ampliar a seca e o risco de incêndios.

Dados apresentados pelo Cemaden indicam que o fenômeno tende a se formar entre junho e agosto e pode se alongar até o fim de 2026 e início de 2027. A maior preocupação recai sobre o último trimestre, quando os efeitos podem intensificar a estiagem e os incêndios florestais.

André Lima, secretário de Controle de Desmatamento e Ordenamento Ambiental no MMA, afirma que, se vier mais forte, o impacto será uma estiagem prolongada, com preparação de seis meses para o período crítico. O Cemaden ressalta que intensidade não determina automaticamente gravidade dos impactos.

Seis meses de preparação são considerados essenciais para reduzir custos e fatalidades. O governo atualiza medidas de prevenção e combate a incêndios, em especial visando áreas federais, parques nacionais e territórios prioritários.

Para 2026, o governo aumentou o efetivo de brigadistas federais para 4.385 profissionais, com 2.600 do Ibama e 1.785 do ICMBio, representando um crescimento de 26% frente a 2024. O Fundo Amazônia passa a apoiar ações no Cerrado e Pantanal, além da Amazônia.

Em julho, foram aprovados 150 milhões de reais para Corpos de Bombeiros Militares e brigadas de Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Goiás, Bahia, Piauí e Distrito Federal. Ibama planeja instalar pelo menos seis bases avançadas em áreas críticas.

A lógica de atuação privilegia ações nas áreas federais antes de reforços nos estados e municípios, com apoio também a gestão local para prevenção. Cerca de 30 municípios receberam aporte de 30 milhões de reais para planejamento e aquisição de equipamentos.

Lima reforça que a responsabilidade é compartilhada com propriedades privadas, conforme a Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo, de 2024. O objetivo é que a atuação não seja exclusiva do governo federal.

Municípios

Em maio, a CNM divulgou nota técnica com orientações aos gestores locais para enfrentar os impactos do fenômeno, destacando fragilidades na prevenção nacional e a necessidade de atuação antecipada para reduzir perdas humanas e econômicas.

Levantamento da CNM aponta prejuízos de aproximadamente 785,4 bilhões de reais com desastres entre 2013 e 2025. Nesses anos, 95,1% dos municípios registraram algum impacto, afetando moradias, infraestrutura e serviços públicos.

Próxima reunião

A sala de situação reúne 13 órgãos federais e é coordenada pela Casa Civil. O próximo encontro está marcado para a última semana de junho, quando as projeções serão atualizadas com maior precisão.

Especialistas destacam a dificuldade de estimar a intensidade com segurança, já que cada episódio apresenta comportamento próprio e comparações com anos anteriores podem gerar interpretações equívocas.

Impactos regionais

Nas regiões Norte e Nordeste, a expectativa é de menor chuva e temperaturas mais altas, com estiagens mais severas. Sudeste e Centro-Oeste podem enfrentar deficiência na estação chuvosa, afetando reservatórios e o risco hidrológico.

O fenómeno El Niño tende a coincidir com ondas de calor, observadas globalmente nos anos recentes, o que aumenta a atenção para queimadas. O acompanhamento técnico permanece ativo para orientar ações preventivas.

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