- Aproximadamente 41% da produção mundial de grãos e 40% das terras destinadas ao cultivo são usadas para alimentação animal, evidenciando competição com a alimentação humana.
- O Brasil está entre os maiores produtores e exportadores de carne, e em 2025 superou os Estados Unidos para se tornar o maior produtor mundial de carne bovina, com cerca de 12,35 milhões de toneladas equivalentes de carcaça.
- Pesquisadores apontam que animais criados em confinamento consomem ração à base de milho e soja, competindo diretamente com a alimentação humana.
- Em média, para produzir 1 kg de carne, são necessários 2,8 kg de ração para ruminantes e 3,2 kg para aves e suínos.
- No Brasil, bovinos são majoritariamente criados em pastagens, o que não competiria com a alimentação humana; alternativas para reduzir impactos envolvem uso de coprodutos agrícolas e de alimentos que seriam desperdiçados.
Cerca de 41% da produção mundial de grãos é destinada à alimentação animal, conforme análise da pesquisadora Estela Catunda Sanseverino. Animais criados em confinamento competem com a alimentação humana por dependerem de ração à base de milho e soja.
No Brasil, o setor agropecuário figura entre os maiores produtores e exportadores de carne, incluindo bovina, suína e de aves. Em 2025, o país superou os Estados Unidos, tornando-se o maior produtor mundial de carne bovina, com cerca de 12,35 milhões de TEC.
Dados mostram que parte expressiva da ração poderia ir para a alimentação humana. A pesquisadora aponta que aproximadamente 41% da produção global de grãos e 40% das terras para cultivo são usadas na alimentação animal, evidenciando a competição com o consumo humano.
Ao considerar a conversão de ração em carne, estima-se que, em média global, são necessários 2,8 kg de ração para obter 1 kg de carne de ruminantes e 3,2 kg para aves e suínos. Ruminantes utilizam mais pastagens, enquanto aves e suínos dependem mais de grãos.
Desafios para o Brasil passam pelo predomínio da ração em sistemas de criação intensivos, principalmente para aves e suínos. Bovinos, em sua maioria, são criados em pastagens, o que reduz a competição direta com a alimentação humana.
A pesquisadora ressalta que impactos socioambientais vão além da pecuária bovina. O setor de ração para confinamento também envolve desmatamento, uso de fertilizantes, emissões de gases e poluição de solos e água, requerendo atenção aos trade-offs entre produção de carne e meio ambiente.
Alternativas para mitigar os desafios incluem ampliar a produção de bovinos a partir de pastagens, especialmente com áreas de pastagens nativas. No sistema intensivo, é possível usar coprodutos agrícolas ou industriais e alimentos que seriam desperdiçados, reduzindo a competição com a alimentação humana.
Essas estratégias visam diminuir impactos sem comprometer a oferta de proteína animal, mantendo a produção brasileira estável no mercado global.
Sob supervisão de Cinderela Caldeira e Paulo Capuzzo
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