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Estudo sugere que remédios para emagrecimento reduzem risco de câncer em 41%

Estudo revela queda de cerca de 41% no risco de cânceres relacionados à obesidade entre obesos sem diabetes que usam agonistas de GLP-1 para emagrecimento

Pesquisa com mais de 229 mil adultos obesos sem diabetes encontrou menor incidência de 13 tumores relacionados à obesidade entre usuários de medicamentos da classe GLP-1
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  • Estudo com 229.467 adultos obesos sem diabetes nos EUA encontrou menor incidência de cânceres relacionados à obesidade entre usuários de agonistas do receptor de GLP-1 (semaglutida e tirzepatida) comparados a quem recebeu apenas orientação de dieta e exercícios.
  • O resultado mostrou hazard ratio de 0,59, ou seja, cerca de 41% menos risco de desenvolver esses tumores no grupo tratado, ao longo de acompanhamento mediano de dois anos.
  • Os dados vieram da base TriNetX, com dois grupos pareados de 80.899 pacientes cada, avaliando período de dezembro de 2014 a junho de 2025.
  • A associação favorável apareceu em quase todos os subgrupos (homens, mulheres e diferentes níveis de obesidade) e foi consistente diante de análises estatísticas adicionais.
  • Os autores ressaltam que o estudo não prova causalidade e sugerem ensaios prospectivos para confirmar se os agonistas de GLP-1 podem, além da perda de peso, contribuir para a prevenção de cânceres relacionados à obesidade.

O uso de medicamentos da classe GLP-1 para perda de peso está associado a uma menor incidência de cânceres relacionados à obesidade em pessoas sem diabetes, segundo estudo publicado na Annals of Oncology. A pesquisa analisou dados de adultos obesos sem diabetes nos EUA e comparou quem utilizou GLP-1 com quem recebeu apenas orientação de dieta e exercícios.

O estudo envolveu 229.467 adultos com IMC igual ou superior a 30, sem câncer prévio relacionado à obesidade nem diabetes. Do total, 86.422 usaram GLP-1 para controle de peso e 143.045 receberam apenas aconselhamento. Os grupos foram pareados para equilibrar as características, resultando em 80.899 pacientes em cada um.

A pesquisa utilizou a base TriNetX, que agrega dados de cerca de 113 milhões de pacientes. A idade média foi de 47 anos e o acompanhamento mediano foi de dois anos. O objetivo foi medir a relação entre o uso de GLP-1 e o surgimento de tumores associados à obesidade.

Resultados principais

Os autores reportam menor risco de câncer relacionado à obesidade entre usuários de GLP-1, com hazard ratio de 0,59. Em termos práticos, há uma queda de cerca de 41% no risco relativo durante o período de acompanhamento, frente ao grupo que não utilizou esses medicamentos.

A tendência favorável apareceu em quase todos os subgrupos analisados, incluindo homens e mulheres, e em diferentes graus de obesidade. Métodos estatísticos adicionais reforçaram a consistência dos resultados.

Sobre os cânceres relacionados à obesidade

A obesidade é reconhecida como fator de risco para diversos tumores, entre eles mama pós-menopausa, endométrio, cólon, esôfago, fígado, rim, pâncreas, ovário e tireoide. O estudo ressalta que a obesidade impulsiona a busca por estratégias que reduzam o peso e, potencialmente, o risco oncológico.

Entre os fármacos estudados, a semaglutida e a tirzepatida aparecem entre os tratamentos mais utilizados para perda de peso. A semaglutida atua isoladamente, e a tirzepatida combina receptores GLP-1 e GIP, o que pode intensificar os efeitos na perda de peso.

Limitações e próximos passos

Os pesquisadores destacam que o estudo não estabelece relação de causa e efeito. Trata-se de dados observacionais, sem ensaio clínico randomizado, e o tempo de acompanhamento pode não captar cancers de desenvolvimento mais tardio. Ensaios prospectivos são recomendados para confirmar a possível ação causal.

Apesar das limitações, os autores reforçam a necessidade de estudos clínicos específicos para investigar se os agonistas de GLP-1 podem, além da perda de peso, contribuir para a prevenção de cânceres relacionados à obesidade.

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