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Maioria dos novos data centers de IA nos EUA ficará em áreas com seca

Análise aponta que cerca de dois terços dos novos datacenters de IA nos EUA ficam em áreas afetadas por seca, elevando demanda de água e preocupações locais

SNOWVILLE, UTAH - MAY 15: A gravel road stretches through the area where the Stratos Project, a proposed data center, will be built in Box Elder County on May 15, 2026 near Snowville, Utah. The planned construction spans about 40,000 acres and could use up to 9 gigawatts of power. Interior of a data center.
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  • Vários data centers previstos para IA devem ficar em áreas já secas, com cerca de 517 dos 809 projetos em regiões em seca ao longo do último ano, segundo dados do Cleanview e do governo federal.
  • Mais de sessenta por cento dos estados contíguos dos EUA enfrentam algum nível de seca, com temores de baixa pluviometria que afetam plantações e riscos de incêndios.
  • Os centros consomem grandes quantidades de água para resfriamento; estima-se que possam usar até cinco milhões de galões de água por dia, dependendo do tamanho.
  • Projetos como o Stratos, em Utah, enfrentam oposição local e ações judiciais; há também planos da Amazon em Walla Walla, Washington, e mudanças em outros estados, como Texas.
  • As empresas defendem uso eficiente de água e infraestrutura de reaproveitamento, enquanto pesquisadores alertam que a demanda hídrica geral associada à IA supera o uso direto dos datacenters.

A Guardian analisou os planos de datacenters de IA nos EUA e constatou que a maioria será construída em áreas com pouca água. Entre 809 projetos, 517 ficam em regiões em seca há pelo menos um ano. Os dados consideram índices oficiais de seca.

A expansão ocorre em meio a uma onda de calor e estiagem que atingem o país. Mais de 60% do território continental se encontra em diferentes fases de seca, com impactos na agricultura, na energia e na disponibilidade de água para usos urbanos.

Aumento da demanda por água e energia é citado como desafio pelos órgãos reguladores e pela indústria. Datacenters grandes costumam requerer até 5 milhões de galões de água por dia para resfriamento, segundo estudos.

A maioria dos novos centros está prevista para áreas secas, com justificativas de menor custo de terra e benefícios de infraestrutura local. Empresas como Google, Meta, Microsoft e Amazon aparecem entre as interessadas.

Casos emblemáticos

Em Utah, o projeto Stratos, próximo a Snowville, envolve dezenas de milhares de acres e pode demandar até 9 gigawatts de energia. Governo local enfrentou oposição de moradores e grupos ambientais.

No Texas, datacenters planejados para Pecos e Carson counties também aparecem entre as maiores iniciativas. Pesquisas locais apontam uso potencial expressivo de água até 2040, elevando preocupações sobre disponibilidade futura.

Situação hídrica e impactos

Estudos indicam que a produção de energia e a fabricação de semicondutores para IA também consomem água em grande escala, além dos datacenters. A soma de setores eleva a pressão sobre fontes como rios e aquíferos.

Especialistas alertam para conflitos entre uso de água para consumo humano, agricultura e indústria. Em regiões já sob seca, a expansão de datacenters pode intensificar a competição por recursos hídricos.

Reação pública e medidas

Governos locais discutem regras para transparência no uso de água operado por datacenters. Propostas incluem exigência de relatórios periódicos e, em alguns estados, adoção de sistemas de resfriamento com ciclo fechado.

A indústria afirma investir em tecnologias de eficiência hídrica e em obras de restauração de água junto a autoridades e organizações de conservação. O objetivo é reduzir impactos sem frear o desenvolvimento.

Contexto global

Estimativas internacionais indicam que, globalmente, datacenters devem responder por uma parcela menor do consumo de água adicional para IA, frente a geração de energia e fabricação de semicondutores. Mesmo assim, o tema continua sob escrutínio público e político.

A discussão volta a girar em torno de equilíbrio entre inovação tecnológica e gestão responsável de recursos, especialmente em regiões já marcadas pela seca. Autoridades e empresas dizem que avanços em eficiência podem mitigar parte dos efeitos.

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