Em Alta Copa do Mundo NotíciasPessoasAcontecimentos internacionaisPolíticaConflitos

Converse com o Telinha

Telinha
Oi! Posso responder perguntas apenas com base nesta matéria. O que você quer saber?

ONU alerta para crise oceânica e pede cooperação global urgente

Organização das Nações Unidas alerta para crise oceânica com aquecimento, poluição e perda de biodiversidade; exige cooperação global urgente baseada em ciência

No Oceano Pacífico, navios esperam para cruzar o Canal do Panamá. As autoridades panamenhas anunciaram restrições ao transporte marítimo devido a seca que afeta as principais fontes de água do canal
0:00
Carregando...
0:00
  • ONU alerta para crise oceânica, baseada na terceira Avaliação Mundial dos Oceanos, desenvolvida por 600 cientistas internacionais em 1.352 páginas.
  • Cerca de 16% de todo o calor absorvido pelos oceanos desde 1955 ocorreu entre 2018 e 2023; os mares absorveram mais de 90% do calor gerado pela ação humana e 30% do CO₂.
  • O nível do mar está aumentando, com ritmo de 4,3 milímetros por ano em 2023; no Ártico, a cobertura de gelo pode desaparecer em partes do ano em 10 a 20 anos.
  • Recifes de coral estão entre os ecossistemas mais ameaçados, com até 90% podendo desaparecer se o aquecimento global passar de 1,5°C; poluição plástica soma 52,1 milhões de toneladas anuais e gera 24,4 trilhões de partículas de microplástico.
  • A ONU convoca cooperação multilateral baseada em ciência; o anúncio de retirada de instrumentos de monitoramento em águas profundas pelo governo dos EUA é visto como lacuna para a ciência oceânica.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou que o oceano não deve ser tratado como ilimitado, em resposta à crise que os oceanos enfrentam. A terceira Avaliação Mundial dos Oceanos (WOA) foi divulgada pela ONU, após cinco anos de trabalho de 600 cientistas internacionais, em uma análise de 1.352 páginas. O relatório descreve uma pressão sem precedentes sobre sistemas oceânicos que ocupam mais de 70% da superfície terrestre.

A pesquisa destaca que mudanças climáticas, poluição, sobrepesca e perda de biodiversidade ameaçam a saúde dos oceanos, base da vida no planeta. O documento alerta para que ecossistemas e habitats cheguem a pontos críticos de não retorno se não houver ações rápidas e coordenadas.

Aquecimento e nível do mar em alta

Os números são fortes. Cerca de 16% de todo o calor absorvido pelos oceanos desde 1955 ocorreu entre 2018 e 2023. No conjunto, os mares absorveram mais de 90% do calor extra gerado pela atividade humana e 30% do CO₂ emitido pela queima de combustíveis fósseis. O aquecimento provoca expansão da água e eleva o nível do mar, que saltou de menos de 2,0 mm/ano antes de 2015 para 4,3 mm em 2023.

A evolução do nível do mar indica tendência de aceleração, segundo o relatório. O coordenador do grupo de especialistas da WOA, Ian Butler, cita o aumento acelerado dos milímetros anuais como sinal crítico da mudança em curso. No Ártico, a redução da cobertura de gelo pode ocorrer em parte do ano dentro de 10 a 20 anos, alterando rotas marítimas e acirrando disputas entre potências.

Corais, peixes e plástico

Recifes de coral ocupam posição entre os ecossistemas mais vulneráveis. O aquecimento e as ondas de calor marinhas repetidas dificultam a recuperação, com estimativas de que até 90% dos recifes podem desaparecer se o aquecimento ultrapassar 1,5°C acima dos níveis pré-industriais. Espécies de peixes já buscam águas mais frias ou profundas, com algumas sem alternativa viável de migração, conforme avaliação de especialistas.

A poluição plástica agrava o cenário: anualmente chegam aos oceanos cerca de 52,1 milhões de toneladas de resíduos, resultando em trilhões de partículas de microplástico que atingem milhares de espécies marinhas. A ONU reforça a necessidade de cooperação multilateral e de decisões embasadas na ciência para enfrentar esse quadro.

O relatório também aponta impactos institucionais, como o anúncio recente do governo dos EUA sobre a retirada de centenas de instrumentos de monitoramento em águas profundas. A ausência de dados pode comprometer a compreensão de longo prazo dos oceanos, segundo o estudo. Fonte: AFP.

Comentários 0

Entre na conversa da comunidade

Os comentários não representam a opinião do Portal Tela; a responsabilidade é do autor da mensagem. Conecte-se para comentar

Veja Mais