- A ONU divulgou o relatório WOA3 sobre o estado dos oceanos e a situação das águas no Brasil, destacando impactos da poluição por plásticos e saneamento insuficiente.
- Globalmente, o número de ondas de calor marinhas dobrou desde os anos oitenta, e o nível médio do mar subiu cerca de 4,3 milímetros por ano entre 2013 e 2023.
- No Brasil, com mais de oito mil quilômetros de litoral, o oceano é crucial para a regulação climática, economia costeira, pesca, energia, transporte e turismo.
- A poluição por plásticos atinge mais de quatro mil espécies no mundo; no Brasil, o problema está ligado ao saneamento, aos resíduos urbanos e à contaminação de praias e rios.
- Eventos extremos marinhos ameaçam a pesca, a aquicultura e a segurança alimentar, com impactos na biodiversidade costeira e em manguezais, estuários e habitats migratórios.
A ONU divulgou nesta segunda-feira um relatório sobre o estado de saúde do oceano global e as águas do Brasil. O documento, o WOA3, aponta impactos da poluição por plásticos e da degradação de ecossistemas, agravados por saneamento precário.
Para o Brasil, o estudo destaca que mais de 8 mil quilômetros de litoral e a vasta área marítima tornam o país particularmente vulnerável às pressões oceânicas. A poluição plástica ameaça milhares de espécies e atividades econômicas costeiras.
Poluição por plásticos
O relatório aponta que mais de 4.076 espécies já são impactadas globalmente pela contaminação. No Brasil, a poluição está associada ao saneamento inadequado, resíduos urbanos, poluição costeira e contaminação de praias e rios.
Impactos no litoral e na economia
Os impactos afetam diretamente a pesca, a aquicultura e a segurança alimentar nas regiões Norte e Nordeste. Eventos extremos marinhos também elevam riscos para comunidades litorâneas e para a infraestrutura costeira.
A pesquisa enfatiza que manguezais, marismas e pradarias marinhas ganham relevância estratégica para o enfrentamento das mudanças climáticas, apesar de receberem financiamento insuficiente.
Amazônia azul e biodiversidade
O estudo aponta uma ameaça crescente à biodiversidade marinha global, com 26,9% das espécies de mamíferos marinhos avaliadas consideradas ameaçadas. No Brasil, a conservação costeira depende de ações ligadas a recifes, manguezais e estuários.
Brasil destaca ainda o potencial da chamada Amazônia costeira e a liderança em iniciativas da economia azul e de soluções baseadas na natureza.
O relatório reforça a importância de investimentos para a saúde dos ecossistemas marinhos, incluindo áreas de reprodução e migração de espécies, além de políticas de manejo costeiro mais robustas. A ONU mantém o foco na necessidade de ações coordenadas.
Em abril de 2027, o Rio de Janeiro sediará a 3ª Conferência Internacional da Década da Ciência Oceânica da ONU, considerado o principal encontro global da agenda oceânica.
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