- A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul detalhou falha no sistema de chave inteligente da Toyota Hilux e SW4, associando-a a furtos na fronteira com o Paraguai.
- O método envolve inserir uma chave de fenda na maçaneta para enganar o circuito e abrir as portas sem disparar o alarme, seguido de reprogramação de chaves com equipamentos que chegam a R$ 30 mil.
- De janeiro a abril de 2026, foram furtadas 34 Hilux ou SW4 no estado, todas fabricadas entre 2016 e 2022, com 69% do volume a partir de 2019.
- Casos de furtos levaram a operações contra “Gangues da Hilux” em ao menos oito estados, com prejuízos divulgados e desarticulação de líderes em alguns casos.
- Especialistas recomendam medidas adicionais de segurança, como travas extras, imobilizadores e rastreadores; a Toyota não comentou o problema.
A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul detalhou uma falha de projeto na Hilux e na sua versão SW4, da Toyota, que facilita furtos. O relatório aponta que criminosos exploram o sistema de chave inteligente para abrir portas e clonar a partida em poucos minutos. A investigação surgiu após um aumento de furtos na fronteira com o Paraguai.
Entre 2025 e 2026, a corporação identificou 34 veículos Hilux ou SW4 levados no estado, todos fabricados entre 2016 e 2022, sendo 69% deles de 2019 em diante. A quadrilha emprega uma chave de fenda longa para abrir a maçaneta, simulando o sinal da chave original e desativando o alarme.
Segundo o documento, após o acesso, os criminosos utilizam equipamentos de até 30 mil reais para reprogramar chaves genéricas e dar partida no motor. Equipamentos de menor custo também foram apreendidos a partir de 2025, vendidos em plataformas digitais por valores inferiores a 5 mil reais.
Como funciona a vulnerabilidade
A falha envolve o mecanismo de chave inteligente, que normalmente usa uma antena na porta para decodificar o sinal da chave. Com a maçaneta violada, o sistema reconhece a abertura como legítima, permitindo a entrada sem disparar alarmes, facilitando a primeira etapa do furto.
A etapa seguinte envolve a clonagem da chave para ligar o veículo, com uso de computadores especializados. A polícia ressalta que, com o tempo, surgiram equipamentos mais baratos no mercado, ampliando o alcance da prática criminosa.
Medidas de proteção e avaliação de risco
Especialistas em cybersegurança afirmam que o problema é global e costuma ser mitigado por atualizações de fábrica. A recomendação destaca o uso de travas adicionais, imobilizadores de terceiros, rastreadores homologados e travas físicas visíveis.
O relatório da Polícia Civil aponta vulnerabilidades nas áreas da maçaneta, miolo, acabamento externo e espaço interno da porta, que permitem a inserção de ferramentas e abertura sem danos visíveis.
Casos ligados à fronteira e ações de policiamento
Relatos de casos incluem um agrônomo que teve uma Hilux 2021 furtada próximo a Ponta Porã, cidade na fronteira com o Paraguai. Em 2025, houve desarticulação de gangues da Hilux em vários estados, incluindo Minas Gerais, Espírito Santo e Distrito Federal, com prejuízos avaliados em milhões.
A expansão do problema levou estacionamentos pagos a adotar travas de roda desde 2023, medida que já é comum em redes de varejo para veículos estacionados. A Toyota, em resposta, não se manifestou sobre o problema no projeto da Hilux.
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