- Mosquitos são atraídos principalmente pelos odores da pele, não pelo sangue, dependendo da química individual da pele e da microbiota cutânea.
- Ácidos carboxílicos, produzidos pelo metabolismo da pele e pela ação de bactérias da microbiota, formam a assinatura olfativa de cada pessoa.
- A microbiota da pele transforma compostos da pele em moléculas voláteis detectáveis pelos mosquitos, gerando perfis químicos distintos entre as pessoas.
- Estudo publicado na Cell, em outubro de 2022, mostrou que pessoas mais picadas tinham níveis maiores de ácidos carboxílicos derivados da pele, tendência estável ao longo dos anos.
- Medidas para reduzir picadas incluem uso de repelentes aprovados, evitar acúmulo de suor, vestir roupas que cubram braços e pernas e eliminar água parada próxima à casa.
O que atrai mosquitos, afinal? Pesquisas indicam que a diferença entre pessoas picadas e não picadas está na pele, não no sangue. A atração vem principalmente dos odores liberados pela pele e pela microbiota que habita a superfície cutânea.
Esses insetos usam sensores para localizar hospedeiros. Além do dióxido de carbono, eles percebem compostos químicos do suor e da pele. Entre eles, os ácidos carboxílicos recebem atenção por formarem uma assinatura olfativa única de cada pessoa.
A microbiota cutânea, composta por bactérias, fungos e outros microrganismos, transforma componentes da pele em moléculas voláteis detectáveis a distância. Assim, perfis químicos diferentes podem sair de hábitos parecidos entre pessoas.
Estudos recentes reforçam esse quadro. Em 2025, a revista Journal of Agricultural and Food Chemistry publicou, sob a liderança de Hui Wang, que mudanças na microbiota podem alterar a produção de compostos atrativos para mosquitos. Data: 26 de junho de 2025.
Estudos que ajudaram a esclarecer o tema
Em 2022, a revista Cell publicou pesquisa liderada por Maria Elena De Obaldia, comparando pessoas altamente atrativas a mosquitos com outras menos procuradas. A análise apontou níveis maiores de ácidos carboxílicos derivados da pele nas pessoas mais picadas.
Os resultados sugerem que a atratividade é estável ao longo dos anos, apoiando a ideia de que fatores biológicos podem ter impacto duradouro sobre o comportamento dos mosquitos.
É possível reduzir a chance de picadas?
Medidas simples ajudam a diminuir o risco. O uso de repelentes aprovados por autoridades de saúde, minimizando o suor excessivo e vestindo roupas que cobrem braços e pernas em áreas de alta presença de insetos são opções eficazes. Locais com água parada devem ser eliminados para reduzir criadouros.
A pesquisa continua para entender como microbiota, ácidos carboxílicos e outros compostos influenciam a atração. Avanços podem abrir caminho para novas estratégias de prevenção de picadas e de doenças transmitidas por mosquitos.
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