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Startup transforma borra de café em material substituto do couro

Insider patenteia biocouro feito de borra de café; jaqueta conceitual serve de prova de conceito, enquanto testes industriais avaliam escala e custo de produção

Biocouro da Insider — Foto: Divulgação/Arte Época Negócios
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  • A Insider criou um biocouro a partir de borra de café, com patente emitida após três meses de desenvolvimento e cerca de trinta protótipos.
  • O material é composto por aproximadamente setenta e cinco por cento de origem vegetal e foi concebido para reproduzir a estética do couro com menor consumo de recursos; a textura ainda se aproxima mais de plástico e borracha.
  • O Brasil é o segundo maior consumidor de café no mundo, o que torna a borra uma matéria-prima abundante, com a prototipagem incluindo borra coletada no próprio escritório.
  • Em testes de sustentabilidade, metade do material se decompôs no solo em quinze dias e, em trinta dias, o índice chegou a aproximadamente sessenta e sete por cento; o processo consome menos de dois litros de água por metro quadrado.
  • A primeira aplicação será uma jaqueta de design exclusivo, como prova de conceito; ainda é preciso comprovar escalabilidade, padronização da matéria-prima, durabilidade e custo viável, e avaliar parcerias para levar o material ao mercado.

A startup Insider, especializada em roupas tecnológicas, desenvolveu um biocouro feito a partir da borra de café. O material, patenteado pela empresa, ainda passará por testes em escala industrial antes de chegar ao mercado.

O projeto surgiu para oferecer uma alternativa ao couro tradicional e aos polímeros usados em couros sintéticos. A equipe de pesquisa concluiu o desenvolvimento em três meses, após testar cerca de 30 protótipos.

A borra de café, matéria-prima abundante no Brasil, foi escolhida pela alta demanda pela bebida no país. O Brasil é o segundo maior consumidor global, atrás apenas dos EUA, com consumo médio de 3 a 4 xícaras diárias por pessoa.

Segundo Karen Prado, líder de P&D, o biocouro tem aproximadamente 75% de composição vegetal. A textura se aproxima mais de plástico e borracha do que do couro tradicional, com foco em reduzir impactos ambientais.

Os protótipos foram produzidos com borra coletada no próprio escritório, em uma prática de economia circular. Testes de sustentabilidade mostraram decomposição de 50% do material em 15 dias, e de 67% em 30 dias.

A produção consome menos de 2 litros de água por metro quadrado, em contraste com o curtimento tradicional do couro, que demanda mais de 100 litros por m². A Insider busca equilibrar estética, performance e impacto ambiental.

Ainda não há produto no mercado. A primeira aplicação prevista é uma jaqueta de design exclusivo, apresentada como prova de conceito. A empresa aponta a necessidade de manter qualidade ao ampliar a produção.

Antes de escalar, o biocouro precisa manter as mesmas características do protótipo em ambiente industrial, com matéria-prima padronizada, durabilidade assegurada e custo de fabricação viável.

Em paralelo, o mercado investiga outras soluções. A Mussh desenvolve biocouro a partir de fungos, e a Arda Biomaterials utiliza grãos usados pela indústria cervejeira.

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