- O maior bloom algal prejudicial da história da Austrália chegou a Port Hughes, no sul da Austrália, no fim de março, impactando a vida marinha local e a qualidade das águas.
- O evento começou há mais de um ano em outras áreas do estado e trouxe espuma amarela, irritação em humanos e mortes de animais marinhos.
- Observações subaquáticas mostraram recuo de vida sob a marina, com corais e esponjas perdendo cor e biodiversidade, apesar de haver sinais de esperança em alguns indivíduos.
- A resposta governamental foi criticada; houve pedido conjunto por declaração de desastre natural, que foi recusado pelo primeiro-ministro.
- O dano econômico é estimado em cerca de A$ 250 milhões; há banimento seletivo da pesca comercial até 30 de abril de 2027 e a recuperação ecológica permanece incerta.
A maior bloom de algas nocivas já registrada na Austrália atingiu Port Hughes, no litoral sul, no final de março, quando o fenômeno se estendeu a águas já conhecidas pela rica vida marinha. O episódio, oriundo de regiões a sul do estado de saúde da cidade, provocou impactos significativos na biodiversidade aquática, na pesca e no turismo local.
A divulgação inicial apontou que o HAB apareceu pela primeira vez há um ano, em outra região da costa da Austrália Meridional. Textos médicos relatam irritação nos olhos, pele e vias respiratórias entre banhistas, seguidos de aves e mamíferos marinhos mortos que começaram a aparecer nas praias.
Em Port Hughes, os efeitos foram mais perceptíveis na vida oceânica moderna do que na superfície. O píer de madeira, antes palco fiel de observação de esponjas, corais e peixes, ficou visivelmente descolorido após mergulhos realizados em abril. A presença de um cavalo-marinheiro de cabeça curta foi apontada como sinal de esperança.
Entre as avaliações de especialistas, a comunidade científica aponta que a saúde do recife foi afetada pela proliferação de microalgas do gênero Karenia, com algumas espécies liberando neurotoxinas que afetam animais marinhos e podem causar sintomas em humanos. A acumulação de toxinas alimentou preocupações de saúde pública e de ecossistemas.
A resposta governamental recebeu críticas pela ausência de uma estimativa oficial do alcance da bloom após mais de um ano de operação. A área afetada, segundo dados de satélite, pode ter alcançado milhares de quilômetros quadrados, enquanto pesquisas de cidadãos sugerem extensão maior. Autoridades esperam dados mais robustos para orientar ações.
Governo e consequências econômicas
As autoridades estaduais e federais, sob a administração do mesmo bloco político, anunciaram medidas de apoio econômico que somam mais de 115 milhões de dólares australianos para comunidades afetadas e monitoramento científico. Contudo, uma comissão parlamentar indicou lacunas nos programas de monitoramento oceânico existentes.
A indústria pesqueira e de aquicultura, além do turismo, registram prejuízos significativos estimados em centenas de milhões de dólares. O governo estadual impôs uma restrição seletiva à pesca comercial em partes do estado, com validade até 2027, para permitir a recuperação de estoques.
Construção de resiliência
Nessas duas frentes, há esforços de restauração de recifes nativos de ostras e melhoria da biodiversidade costeira com investimentos em pesquisa e suporte técnico. As iniciativas buscam aumentar a resiliência ambiental e reduzir impactos de futuras blooms.
Especialistas destacam que a restauração de habitats, aliada a políticas integradas entre governos, pode facilitar a recuperação de áreas afetadas. No entanto, ressaltam a necessidade de continuidade de estudos para compreender causas e consequências, dada a natureza imprevisível de HABs.
Port Hughes, por fim, permanece em observação. Pesquisadores e comunidades acompanham sinais de recuperação lenta, enquanto técnicos trabalham na elaboração de estratégias para mitigar efeitos futuros e apoiar a recuperação ecológica e econômica da região.
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