- A suspensão temporária da vacina contra dengue do Butantan visa aprofundar a apuração de eventos adversos raros, sem desvalorizar a eficácia comprovada.
- O diretor Esper Kallás garantiu que quem já recebeu a vacina continua protegido.
- Entre janeiro e 30 de maio de 2026, foram aplicadas cerca de 500 mil doses no país, com 3.703 notificações de eventos adversos (aproximadamente 0,7%).
- Desses, 42 casos foram graves (0,008% dos vacinados) e há três ocorrências sob investigação, incluindo dois óbitos.
- A apuração envolve Anvisa, Programa Nacional de Imunizações, secretarias de saúde e o Instituto Butantan; pessoas vacinadas há menos de 21 dias devem ficar atentas a sintomas.
O Instituto Butantan suspendeu temporariamente a aplicação da vacina contra a dengue que desenvolveu, após avaliação de eventos adversos. A medida foi anunciada pelo Ministério da Saúde e visa aprofundar a investigação sem invalidar a eficácia comprovada pelos estudos.
O diretor do Butantan, Esper Kallás, afirmou à GloboNews que pessoas já vacinadas continuam protegidas contra a dengue. A suspensão é preventiva e busca entender eventos raros observados desde o início da campanha.
Dados e contexto
Entre janeiro e 30 de maio de 2026, foram aplicadas cerca de 500 mil doses no Brasil, das quais mais de 417 mil em profissionais da saúde. Foi registrado 3.703 notificações de sintomas semelhantes aos da dengue, equivalentes a 0,7% dos vacinados.
Entre os casos notificados, 42 apresentaram sinais de alerta e foram classificados como graves, representando 0,008% do total. Três episódios exigem atenção especial, ainda em apuração, para verificar relação com o imunizante.
Em um dos casos, uma mulher de 39 anos evoluiu para dengue grave dias após a vacinação e ficou na UTI, mas teve recuperação. Outros dois óbitos estão em investigação para confirmar ou refutar ligação com a vacina.
Acompanhamento e próximos passos
Não há evidência suficiente para estabelecer causalidade entre a vacina e os óbitos. As investigações são conduzidas pela Anvisa, pelo PNI, por secretarias de saúde e pelo Butantan, de forma conjunta.
A vacina é 100% brasileira e de dose única. Em ensaios com cerca de 16 mil voluntários ao longo de cinco anos, houve comprovação de eficácia e segurança, o que foi publicado em revistas científicas de renome.
As autoridades indicarão os próximos passos da estratégia de vacinação conforme os resultados das análises. Estados e municípios devem manter a suspensão até surgir orientação oficial.
Quem recebeu a dose nas três semanas anteriores à data do dia 9 de junho deve ficar atento a febre, dor abdominal, vômitos, tontura, sangramentos, sonolência, irritabilidade e sinais de desidratação.
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