- A FAO alertou que o risco de fechamento do Estreito de Ormuz pode afetar a segurança alimentar global, principalmente por impactos sobre fertilizantes e insumos agrícolas.
- O estreito é rota estratégica para o comércio: passam pela região cerca de 35% das exportações globais de petróleo, 20% das exportações de GNL, entre 20% e 30% das exportações mundiais de fertilizantes e cerca de 50% das exportações globais de enxofre.
- O principal efeito esperado não é escassez de alimentos imediata, mas choques na produção agrícola e nos fertilizantes; agricultores da Ásia, África e América Latina já enfrentam aumento de custos e decisões sobre uso de fertilizantes após 100 dias de crise.
- A FAO apresentou medidas de curto, médio e longo prazo, incluindo manutenção do comércio aberto, evitar restrições a exportações de insumos e proteção de corredores humanitários para alimentos, além de buscar rotas logísticas alternativas.
- Em emergências, a FAO tem ações em andamento e já mobilizou recursos, com o Apelo Global de Emergência apontando que, até maio, foram recebidos US$ 206 milhões de US$ 2,5 bilhões necessários; a organização também citou avanços em cooperação internacional e projetos de fertilizantes mais eficientes.
O diretor-geral da FAO, Qu Dongyu, disse que a crise no Estreito de Ormuz representa um risco para a segurança alimentar global, com impactos potenciais sobre fertilizantes e insumos agrícolas. O estreito é uma rota estratégica para o comércio mundial.
Segundo a FAO, 35% das exportações globais de petróleo bruto, 20% de GNL e até 30% das exportações de fertilizantes passam pela região, tornando o fechamento do estreito um risco para o abastecimento agrícola. O alerta foi feito durante reunião do Conselho da FAO.
Qu Dongyu afirmou que o efeito imediato não seria uma escassez de alimentos, mas choques ligados a fertilizantes e produção agrícola. Com a crise já com 100 dias, produtores da Ásia, África e América Latina enfrentam custos maiores e planejamento de safras mais complexo.
Medidas de curto prazo
A FAO recomenda manter a abertura do comércio internacional e evitar restrições às exportações de insumos agrícolas. Também orienta proteger corredores humanitários para alimentos e buscar rotas logísticas alternativas.
A organização detalha ações para uso mais eficiente de fertilizantes, como mapeamento de solos, agricultura de precisão e sistemas de cultivo consorciados, visando reduzir a dependência de nitrogênio. Fundos são criados para amônia verde e biofertilizantes.
Apoio internacional e riscos climáticos
Qu destacou o apoio de instituições financeiras internacionais e de fundos climáticos, com a parceria FAO-Fundo Global para o Meio Ambiente chegando a US$ 2 bilhões em financiamentos até 2025. Mais de 77 países aderiram ao programa de prevenção de doenças animais transfronteiriças.
Na América Latina e no Caribe, as prioridades são manter avanços na redução da fome, enfrentar custos de dietas saudáveis e combater a pobreza rural. Qu encerrou enfatizando a necessidade de ampliar a capacidade de antecipação a crises globais.
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