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Mapear o fundo dos oceanos é questão de soberania, especialmente para o Brasil

Mapa do fundo oceânico brasileiro permanece incompleto: apenas 28% mapeado com precisão; falta investimento e embarcações de ponta para fortalecer soberania

O Brasil está em processo de requerer a extensão de sua Zona Econômica Exclusiva, a Amazônia Azul, de 3,6 milhões para 5,7 milhões de km². Sendo que 80% dessa área possui profundidades superiores a 200 metros. Para isso, é necessário conhecer o que há no fundo, e entender melhor seu potencial de exploração econômica e científica.
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  • Nos últimos 15 anos, pesquisadores brasileiros avançaram em descobertas sobre o Atlântico e a Amazônia Azul, mas falta investimento e embarcações com tecnologia de ponta.
  • Em 2017, o projeto Seabed 2030 registrou apenas 5% do fundo mapeado com precisão; hoje são 28%, com meta de 100% até o fim desta década.
  • O Brasil busca ampliar a soberania sobre o fundo do oceano, com a extensão da Zona Econômica Exclusiva (Amazônia Azul) de 3,6 milhões para 5,7 milhões de km², em áreas com profundidades acima de duzentos metros.
  • O navio Falkor, do Instituto Schmidt Ocean, deve chegar ao Atlântico Sul Ocidental em 2026–2027 para expedições em parceria, com equipamentos de ponta para mapeamento e coleta de amostras.
  • O mapeamento não é apenas medir profundidade: usa ecobatímetros, backscatter e IA para entender a geodiversidade, prever biodiversidade, áreas de pesca e risiko geológico, além de orientar infraestrutura marítima.

O mapeamento do fundo oceânico é apresentado como parte da soberania brasileira, especialmente na Amazônia Azul. Pesquisadores brasileiros mostram avanços nos Atlântico Sul e destacam a falta de investimento e de embarcações com tecnologia de ponta para aprofundar o trabalho.

Entre os grandes pilares históricos do assunto está o uso do sonar e, no passado, a evolução que veio com a expedição Challenger. Hoje, o mapeamento envolve ecobatímetros multifeixe e análise de backscatter para entender o substrato e a geodiversidade do fundo.

Em 2017, o projeto Seabed 2030 indicou que apenas 5% do fundo oceânico tinha mapeamento acústico preciso. Hoje, esse patamar chegou a 28%, com meta de 100% até o fim desta década, segundo especialistas.

Amazônia Azul e soberania

A região chamada Amazônia Azul reúne parte significativa das áreas de interesse estratégico. Pesquisas recentes descrevem mosaicos de recifes submersos e estruturas geológicas, além de depressões que indicam processos geoquímicos e biológicos.

O Brasil tem contribuído com dados sobre a fisiografia oceânica, mesmo com recursos limitados. O Instituto Schmidt Ocean traz, em 2026 e 2027, o navio Falkor ao Atlântico Sul Ocidental para expedições conjuntas com equipes brasileiras, sem custo direto para as pesquisadoras.

Tecnologias e dados

Mapeamento não é apenas medir profundidade; envolve backscatter para identificar substratos rochosos, arenosos ou recifes. Combinado ao relevo, isso gera mapas de geodiversidade que ajudam a prever biodiversidade e distribuição de recursos pesqueiros.

Algoritmos de inteligência artificial já classificam tipos de fundo marinho, auxiliando na previsão de espécies bentônicas e áreas de pesca sustentável. A geração de dados é vista como prioridade para o país.

Desafios e caminhos

O cenário brasileiro atual aponta para a necessidade de investimento público em embarcações e tecnologia de ponta, bem como maior transparência de dados batimétricos ainda confidenciais. Pesquisadores defendem parcerias entre instituições e setor privado.

Especialistas ressaltam que o conhecimento do fundo oceânico sustenta decisões de políticas públicas, defesa da soberania, segurança de cabos submarinos e planejamento de exploração de recursos minerais e energéticos.

Olhar para o futuro

Dados do fundo atlântico, afirma o texto, impactam desde a navegação até a resposta a desastres geológicos e climáticos. Combinar ciência básica com aplicações estratégicas aparece como caminho para ampliar a presença brasileira na governança do Atlântico Sul.

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