- Estudos na Espanha e no Japão mostram que, ao caminhar espontaneamente, as pessoas tendem a virar para a esquerda e seguir em direção anti-horário.
- O viés aparece em diferentes situações, desde museus até supermercados e salas vazias, mesmo ao considerar destros e dominância de olhos/pesos.
- Crianças apresentam um viés mais pronunciado do que adultos.
- Pesquisadores ainda não sabem a causa exata; experimentos com realidade virtual e com simulações em que uma perna era fingidamente quebrada estão em andamento.
- Compreender o fenômeno pode tornar simulações de multidões e evacuação mais realistas e ajudar no design de espaços públicos.
Dois a cada três trajetos de circulação indicam preferência por virar para a esquerda. Em estudos conduzidos na Espanha e no Japão, pessoas tendem a andar de forma anticlockwise ao iniciar uma caminhada, seja em museus, supermercados ou salas vagas.
As pesquisas são lideradas pela Universidade de Navarra, na Espanha, com colaboração do Instituto de Tecnologia de Tóquio. Os dados mantêm consistência entre diferentes grupos, incluindo homens, mulheres e crianças, após controlar dominâncias manuais e visuais.
O achado surgiu de forma acidental durante experiências sobre distanciamento em espaços coletivos durante a pandemia. Ao revisar vídeos, os pesquisadores observaram a predominância de trajetórias anticlockwise em multidões.
Resultados de pesquisas internacionais
Em Tóquio, a equipe confirmou o mesmo padrão, mesmo com fatores como lateralidade. A tendência persiste em adultos e em crianças, ainda que a diferença entre os sexos seja pequena. A variação é mais pronunciada entre crianças.
Os cientistas destacam que, embora a origem do viés ainda não esteja clara, hipóteses envolvem biomecânica e assimetrias corporais. Diversas abordagens, incluindo simulações em realidade virtual, foram testadas para entender o mecanismo subjacente.
Implicações e próximos passos
Os autores ressaltam que compreender o viés pode tornar simulações de multidões e evacuação mais realistas. O conhecimento pode também orientar o design de espaços públicos, como museus, supermercados e estações de trem, para facilitar a circulação.
Estudos adicionais exploram se o efeito pode variar com contextos culturais ou geográficos. Pesquisas futuras também buscam esclarecer o papel de fatores sensoriais na coordenação entre cérebro e músculos durante a locomoção.
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